Ortóptica: aprendendo a usar o resíduo visual
Ortóptica: aprendendo a usar o resíduo visual

Ortóptica: aprendendo a usar o resíduo visual

Cerca de 6 milhões de brasileiros têm grandes dificuldades de enxergar e, por isso, são intitulados baixa visão. Caso não haja um tratamento, a pessoa pode não aproveitar 100% do resíduo visual que possui, limitando-se ainda mais. Com a deficiência visual, o rendimento na execução de tarefas, o desenvolvimento social e até a qualidade de vida caem consideravelmente.

Para alguns indivíduos pode até parecer mágica, mas a ortóptica oferece a pessoa com baixa visão a possibilidade de ampliar o campo visual, dando a impressão de enxergar além do que realmente enxerga.

Orto significa correto e óptica é visão. A ortóptica quer dizer Visão Correta, sendo assim, é ligada diretamente a oftalmologia, diagnosticando e reabilitando distúrbios na visão. No caso de pessoas com a deficiência visual, após o tratamento médico oftalmológico, o ortoptista vai trabalhar o resíduo visual e aproveitá-lo com treinamentos e lentes especiais. Maria Helena Cury de Sousa trabalha no Lar das Moças Cegas há 13 anos, é formada na área e tem especialização em visão subnormal. “Não vou devolver a visão, porque não existe cura, mas uma falsa melhora. Com a reabilitação, a pessoa volta a executar tarefas simples, como ver se uma carta está endereçada para ela”, explica a ortoptista.

Segundo Maria Helena, muitas pessoas perdem parte do campo visual durante circunstâncias da vida e, por desconhecerem a reabilitação, acreditam na errada crença de manter os olhos fechados para economizar a visão. “Na realidade, é o contrário. A pessoa precisa estimular de maneira correta. Não é certo ler no escuro, por exemplo, porque há o esforço. Eu ensino a usar a visão da melhor forma possível, por meio de lupas de mesa, lupas de apoio, lupas de óculos e lupas de iluminação”.

O tempo do tratamento depende da baixa visão de cada paciente, pois é necessário aprender a usar o resíduo visual. Após o acompanhamento ortóptico, há deficiente visual que passa a ter uma visão funcional e a utiliza de forma perfeita, chegando a não aparentar que possui uma visão subnormal. “Ele aprendeu a usar os outros sentidos além da visão. Unindo tudo, o resultado é satisfatório”, diz Maria Helena.

Reabilitado, a vida do paciente se regenera, conquistando novamente a autonomia, a autoestima, o envolvimento social e a qualidade de vida, além do prazer de enxergar, de novo, a vida com os próprios olhos. “A pessoa volta a ter dignidade, independência, sentindo-se importante e funcional até mesmo diante da família”, finaliza.

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