Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida nunca mais será a mesma para deficientes visuais. Isso graças a três alunos do IFB, que expõem a criação no terceiro dia da Campus Party Brasília

Observar a Catedral Metropolitana de Brasília é comum para quem vive ou visita a capital. Mas e para os deficientes visuais? É possível imaginar as formas do monumento do arquiteto Oscar Niemeyer? Pensando nisso, três estudantes do Instituto Federal de Brasília (IFB), em Taguatinga, montaram uma impressora 3D e imprimiram monumentos, obras de arte e esculturas para auxiliar no aprendizado de deficientes visuais. O trio está na Campus Party Brasília, que acontece até o próximo domingo  (18/6), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. 

Dois professores da instituição queriam trabalhar o ensino de artes visuais para cegos, mas a verba para comprar uma impressora 3D não era o suficiente. Um equipamento novo chega a R$ 16 mil. O grupo montou, então, um semelhante por R$ 2 mil, segundo o estudante do Instituto Jailson Rodrigues, 32 anos. 
 
“Foi um grande desafio. Começamos do zero e não sabíamos nada. Nem como montar, nem como calibrar. Imprimimos muita coisa errada. E aprendemos braile também”, lembra Victor Silva, de apenas 17 anos, que estuda eletromecânica e participou do processo de montagem da impressora por 2 anos e meio.
 
O grupo conta que o mais gratificante foi imprimir as obras e mostrar aos alunos cegos. “A gente foi uma vez na Biblioteca de Braile de Taguatinga e foi muito interessante ver eles tateando as peças e dando a impressão deles. Um me disse que achava que a Catedral era uma arquitetura antiga e ficou impressionado em descobrir que não”, relembra Abel Araújo, 21 anos. “Um me disse que a Mona Lisa é feia após tocar no rosto dela. Acho que todos pensamos isso e não temos coragem de dizer”, completou Jailson, rindo. 

“O que me deixa surpresa é que os três têm idades bem diferentes e se uniram para proporcionar para as pessoas que têm uma limitação algo único”, destacou a pró-reitora de Pesquisa e Extensão da instituição, Luciana Matsukado. 
O grupo apresentou o projeto, intitulado InserFab, no Campus Future, área da Campus Party, maior feira de tecnologia pela primeira vez em Brasília. O espaço permite a divulgação de projetos acadêmicos de estudantes universitários que se destacam pela utilização de tecnologia, criatividade e que apresentam projetos com impacto social relevante.