O cheiro de comida boa no ar é uma característica própria do 1º andar do Lar das Moças Cegas. Da segunda porta do corredor, do lado esquerdo exala um cheiro que deixa qualquer um com água na boca! A responsável por isso é a recém-chegada ao setor e atual professora da Cozinha Experimental do LMC, Andréa Ferreira, de 44 anos.

Além de dedicada ao que faz, Andrea trata todos seus alunos com muito respeito e alegria, o que deixa o setor um lugar não só atraente pelo cheiro e pelo paladar, mas sim pelo o que ele representa. Para ela os objetivos na cozinha são: buscar a independência, a socialização, o desenvolvimento motor, psicológico e até o profissional dos atendidos.“O resultado de todo trabalho feito em sala é que eles saem desinibidos. Vamos galgando pequenos degraus no dia a dia”, contou a professora. Segundo Andrea o que mais a deixa feliz é vê-los bem e fazendo tudo direitinho, sem dificuldades.

Para Maria Dilma Gonçalves, de 55 anos, e que já faz parte da Instituição há quase 30, cada professora é uma experiência. “Buscamos aqui a independência na nossa casa; posso fazer comida e receber meus amigos”, contou. “No domingo, do Dia dos Pais, pude fazer o almoço e lavar louça, coisas que antes tinha muita vergonha”. Além de aluna do LMC, Maria Dilma também  é voluntária nos seus horários vagos e contou como é a experiência: “Não sei nem como agradecer; não tenho palavras! A Andréa na cozinha sempre me ajudou e me incentivou”, explicou.

Ao lado de Dilma estava Josefa Almeida de Araújo, de 57 anos, está no LMC há 1 ano e já  sente toda a diferença.  Ela conta que  sempre foi muito tímida e que já aprendeu muita coisa: “Antes eu não era muito de falar. Hoje, com o desenvolvimento que tenho aqui,  consegui até entrar para o Coral”.

 

Enquanto as meninas falavam de suas melhoras, Andrea só observava, com lágrimas nos olhos e orgulhosa de ver o quanto todo o esforço e a vontade de estar dentro daquela cozinha, passando  de coração o que  sabe fazer de melhor além de cozinhar: dar amor a quem precisa.