Quando os olhos não veem mas o coração sente
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Cegos e pessoas de baixa visão participam de oficina de cinema e produzirão filme de curta-metragem

 Sonhos acessíveis é o que oferece a Oficina de Realização Audiovisual organizada neste sábado e no próximo (dia 26) na Associação dos Deficientes Visuais de Canoas (Adevic). “A oficina tem como objetivo geral mostrar que é possível adaptar os recursos tecnológicos disponíveis para que as pessoas cegas e de baixa visão possam ter acesso à realização audiovisual através da percepção e imaginação”, afirma a produtora cultural Saskia Sá. Já o objetivo específico do workshop é apresentar didaticamente como se faz um curta-metragem (filme com até 30 minutos de duração) – desde a fase do roteiro, explorando o processo criativo, até a produção e a edição final.

Se você chegou a esta parte do texto deve estar perguntando como é possível que cegos possam fazer cinema. “Não sei o que vamos fazer, mas sei que vamos fazer. Vir aqui ajudou minha autoestima e me ensinou a buscar mais na vida. Evoluir, produzir, ter vontade de fazer coisas” declarou Carla Denise da Silva, 45 anos. Desde que perdeu por completo a visão, quatro anos atrás, Carla Denise mantinha-se em casa e afastada de quase todo tipo de atividade – não enxergar foi muito difícil justamente para quem era fotógrafa.

Outra produtora responsável pela oficina, Luciana Druzina explica que os alunos recebem conhecimentos teóricos sobre como escrever o roteiro, quais as funções da produção, além de praticarem exercícios de fotografia, como captar e selecionar as imagens que serão editadas. Os alunos utilizam câmeras com funções sonoras. “O diferencial da oficina é democratizar acesso de pessoas cegas e com baixa visão à realização cinematográfica, trabalhando outros tipos de percepção: registros sensoriais como audição e tato”.

Além da realização do produto cinematográfico, há outro aspecto importante no projeto – o da valorização de quem participa. “Espero que quem assistir ao nosso filme veja as pessoas cegas e baixa visão de forma diferente. Quem enxerga muitas vezes não consegue ver o nosso potencial”, disse a aluna Daniela Laufer, 22 anos.

Exibição à vista

A Mostra “Sonhos Acessíveis – Cinema, Audiodescrição e Impressão 3D” é um evento cultural que englobará exibições de filmes, debates e oficinas neste e no próximo mês, em Canoas e Porto Alegre. Com entrada franca, os filmes exibidos têm o recurso da audiodescrição e Impressão 3D, para que o público tenha a experiência exata imaginativa de como são os personagens principais das obras audiovisuais exibidas, por meio do recurso da visualidade tátil (textura, massa) por meio de um dispositivo de Impressão 3D, isto é um protótipo do personagem do filme.

 

Fonte: http://www.diariodecanoas.com.br/_conteudo/2017/08/noticias/regiao/2159379-quando-os-olhos-nao-veem-mas-o-coracao-sente.html

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