Cego, Anderson se ampara no esporte
Cego, Anderson se ampara no esporte

Cego, Anderson se ampara no esporte

Há 13 anos, o americanense perdeu 100% da visão após contrair a Síndrome de Von Hippel Lindau, descobriu nova vida após trauma e vai encarar os 21 km

A Meia Maratona Avenida Brasil, marcada para o próximo domingo, dia 3 de setembro, ocorrerá num dos cartões-postais de Americana. Mas um dos inscritos da prova de 21 km não enxergará nada no percurso. Só imaginará. Anderson Roberto Duarte tem 38 anos e é portador de uma doença rara. Mais que isso, é protagonista de uma das histórias de superação que só o esporte é capaz de proporcionar.

Há 13 anos, o americanense perdeu 100% da visão após contrair a Síndrome de Von Hippel Lindau, tumor que afeta, em média, um em cada 36 mil indivíduos. O que chama a atenção é que Duarte perdeu toda a visão justamente num dos momentos mais difíceis de sua vida, quando estava traumatizado depois de um assalto em que foi vítima, com direito a arma no rosto, carro roubado e ameaças semanas após o crime. Não parava de pensar nisso. Queria vingança. Até que ficou cego. E começou uma nova vida.

Antes, admite, era negligente com ele mesmo. Não praticava nenhum esporte, bebia, fumava e tirava seu sustento em serviços gerais como motorista. Quando perdeu a visão, viu seu mundo desabar. Mal sabia que estava renascendo. “Quando se perde a visão fica totalmente fora do mundo. Você pensa que vai virar uma pessoa que não vai existir mais na sociedade. Só que aí o mundo muda totalmente, você começa querer a engatinhar tudo de novo, e graças a Deus encontrei essa luz que é o esporte, que me deu uma nova vida”, conta.

Primeiro, ele começou a nadar. Foram cinco anos praticando natação paralímpica. Passou a pedalar também. E ainda resolveu correr para realizar um grande sonho: participar do Ironman Brasil 2018, principal competição de triatlo do País, com 3,8 km de natação, 180,2 km de ciclismo e 42,2 km de corrida. A Meia Maratona Avenida Brasil, de Americana, diga-se de passagem, servirá como um “treino de luxo” em sua preparação.

“Quando fiquei cego não foi fácil, mas hoje eu agradeço pela perda da visão. Quando eu enxergava, eu vegetava. E hoje que não enxergo, eu vivo. Cheguei a pesar 120 quilos e hoje estou com 85. Tenho minha esposa, uma filha de 10 anos. Eu não tinha nada antes, hoje tenho sonhos com o esporte”, diz. Duarte tira sua renda atualmente de sua aposentadoria por invalidez e pequenos patrocinadores que tem no esporte.

GUIA. Deficientes visuais não correm sozinhos. O técnico de corrida da equipe Grae Team, de Americana, Guilherme Rodrigues, acompanha Anderson Duarte em todos os seus desafios. E faz parte de todos os seus sonhos. “Costumo dizer que nós formamos uma única pessoa. Não existe o Guilherme e o Anderson, existe o Guilherme-Anderson. Um depende do outro e um ajuda o outro pelo mesmo objetivo”, afirma o guia, que só não acompanhará seu parceiro semana que vem pois tem que coordenar seu grupo de corrida. Em seu lugar, está escalado o corredor guia Renan Pierini.

“Estou neste projeto com ele simplesmente para mostrar para todos que independente das dificuldades do dia a dia, tudo pode ser superado dependendo da dedicação e comprometimento”, finaliza Rodrigues. Diante de toda a história, uma coisa fica nítida. Anderson Duarte é prova que a primeira Meia Maratona da história de Americana já tem um vencedor mesmo antes de sua realização.

Fonte: http://liberal.com.br/esporte/mais-esportes/cego-anderson-se-ampara-no-esporte-649536/

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