Camila explica que o Santuário já era acessível, mas com as mudanças em uma lei federal, foi preciso fazer novas adequações.

As especializações que fez ao longo de 14 anos de profissão proporcionaram uma oportunidade única à arquiteta mogiana Camila Caruso. Ela é a responsável técnica pelo projeto de acessibilidade do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, no Vale do Paraíba.

“Trabalhei na Prefeitura de São Paulo, na Secretaria da Pessoa com Deficiência. Desenvolvi vários projetos para grandes empresas a nível Brasil. Pela capacidade técnica e tudo, eu fui convidada para participar da licitação que teve no santuário. Entre todas as empresas, pelo escritório [em que ela trabalha] ser o pioneiro no Brasil e pela minha experiência de ter atuado na Prefeitura com essa área e com outras empresas também, acabei sendo escolhida”, conta.

A responsabilidade da Camila é grande, principalmente no ano em que a Basílica deve receber milhares de devotos em comemoração ao jubileu de 300 anos da Padroeira do Brasil. “Primeiro, o tamanho da responsabilidade por ser a Basílica, o Santuário todo, não é só a Basílica e pensar na parte de metros quadrados, no fator cultural, a importância que tem a Basílica hoje. Para mim foi uma honra. Demorou uma semana para cair a ficha”, sorri.

Camila explica que o Santuário já era acessível, mas com as mudanças em uma lei federal, foi preciso fazer novas adequações.

“A gente elaborou quase 90 banheiros no complexo todo, desde a área externa, a Basílica, o Centro de Apoio ao Romeiro. Todas as rampas foram readequadas. Tem algumas que foram demolidas e feitas novamente. Corrimão de duas alturas em todas as escadas e rampas. Informação em braile no corrimão”, explica. “Fizemos também os balcões de atendimento na altura certa. Então também estão sendo adequados para o cadeirante, a pessoa de baixa estatura”.

As obras começaram há quase um ano e ainda faltam algumas adaptações, como a colocação de um piso tátil em todo o complexo, pensado em ajudar os deficientes visuais. Para a arquiteta, que é católica e devota de Nossa Senhora, fazer parte desse trabalho e ver que milhares de pessoas vão usufruir dele é gratificante.

“ Toda reunião que eu fui, ia o carro lotado de gente para aproveitar, ir, rezar um pouquinho. Para a nossa família, está todo mundo orgulhoso, feliz. Eu também. Está sendo muito importante para a gente”.

Romeiros

Romeiros de Mogi das Cruzes são alguns dos que vão passar por Aparecida depois das adaptações projetadas pela Camila. Eles fazem parte da romaria Caminhando com Maria e, neste fim de semana, fizeram os últimos preparativos para a saída.

“São quatro dias andando. Um dia para dormir lá e para participar da missa. Em média, andamos 30 quilômetros por dia”, conta Sérgio Ricardo da Silva, organizador do evento.

Para tentar evitar acidentes, já que o trajeto escolhido é a via Dutra, eles contam com alguns itens de segurança. “Nós temos hoje, nessa romaria, dois caminhões, um médio e um pequeno; três ônibus; cinco carros de apoio; e duas enfermeiras que vão acompanhar”, explica.

Delmar Borgnon da Costa, o Gaúcho, vai na romaria mas também vai dirigir o caminhão que vai levar água e frutas para os devotos. Ele explica como será a ação. “Vou sair com o pessoal caminhando, dois, três quilômetros, e volto a pé. Pego o caminhão e vou para o ponto B. Assim vai ser até Aparecida. Levando água e apoio para o pessoal”.

Ele veio especialmente de Florianópolis para sair com o grupo de Mogi das Cruzes. Assim como o Sérgio vai apenas para agradecer as bençãos recebidas. “Formei, com muita dificuldade, três filhos engenheiros e um filho físico. Minha esposa fez faculdade e é mestre também. Ano passado eu paguei essa promessa e agora é mais para… Eu só tenho a agradecer”, conta.

“Minha relação com Nossa Senhora é mais para agradecer mesmo as bençãos que eu tenho. A promessa que eu fiz para ela, ela me atendeu. É uma coisa inexplicável, realmente. Uma fé muito grande”, conclui Sérgio.

Fonte: https://g1.globo.com/sp/mogi-das-cruzes-suzano/noticia/mogiana-e-responsavel-tecnica-por-projeto-de-acessibilidade-da-basilica-de-aparecida.ghtml