Projeto Pedaleiros leva deficientes visuais para passeios de bike
Projeto Pedaleiros leva deficientes visuais para passeios de bike

Projeto Pedaleiros leva deficientes visuais para passeios de bike

Risete Chagas Pereira, de 60 anos, há vinte não andava de bicicleta. Mas neste sábado ela pôde sentir novamente a sensação do vento soprando em seu rosto. E chorou de emoção. Risete foi uma das dezenas de deficientes visuais que compareceram à Praça Mauá para pedalar num bike dupla, no projeto Pedaleiros, que oferece a pessoas que não enxergam a experiência de montar numa “magrela” com a ajuda de um voluntário. Criado em dezembro de 2015, o projeto já realizou 11 etapas e atendeu 1.800 pessoas com deficiência visual com passeios em diferentes lugares do Rio de Janeiro. O encontro deste sábado, na Orla Conde, teve até fila de espera. Na próxima semana, será em Niterói, na Praia de Icaraí.

 Eu fiquei tão feliz que até chorei. Eu tive glaucoma e perdi parte da visão há 20 anos, desde então nunca mais andei de bicicleta. Há seis anos, perdi totalmente a visão. Andava muito deprimida, sem vontade de viver. E um dia conheci uma pessoa maravilhosa que me indicou este projeto — conta ela, que é moradora de Vilar dos Telles.

Maria Delfina da Costa Guimarães, de 53 anos, já participa do projeto há dois anos e não perde um passeio. Para ela, pedalar em companhia de um guia é uma terapia, que ela indica para vários conhecidos deficientes visuais.

Maria Delfina da Costa Guimarães, de 53 anos, já participa do projeto há dois anos e não perde um passeio. Para ela, pedalar em companhia de um guia é uma terapia, que ela indica para vários conhecidos deficientes visuais.

— Parece que a gente ganha uma liberdade. Já indiquei para várias pessoas e quero vir a todos! Eu adoro, muito bom o passeio, e parece até que a gente volta a enxergar. Temos um grupo de WhatsApp só de deficientes visuais e ficamos sempre atentos — comenta.

Manuel dos Anjos, de 57 anos, também aproveitou o dia de sol quente para se exercitar em dupla. Depois do passeio, ficou conversando com outros deficientes visuais na Praça Mauá.

— Sou cego há 32 anos, e já tinha andado de bicicleta antes, mas com a ajuda do meu irmão. Amarramos uma corda nos guidões e ele vai pedalando. Mas esta maneira aqui é muito boa — disse o morador de Vila Isabel.

Durante o passeio, os guias — voluntários que recebem treinamento — vão descrevendo para o “carona” os detalhes e as belezas do cenário. A pedalada dura em média 5 minutos e no percurso são usados capacete e outros equipamentos de segurança. Segundo o publicitário Fabien Ghestem, um dos organizadores, além de proporcionar diversão, o projeto tem também objetivo de tirar as pessoas de casa, facilitando a integração.

— Eles podem conhecer outros deficientes e também ter contato com pessoas que enxergam. Este contato é muito importante — explica.

Outra missão do projeto, completa, é fazer com que pessoas que enxergam coloquem-se no lugar do outro e experimentem a sensação de uma pessoa com deficiência visual. Por isso, quem tem a visão perfeita pode participar do passeio, usando uma venda dos olhos. A iniciativa é sempre gratuita e tem quatro horas de duração, das 10h às 14h. O projeto, sem fins lucrativos, foi criado pela agência Novo Traço.

Mais informações: https://www.facebook.com/projetopedaleiros

Fonte: https://oglobo.globo.com/rio/projeto-pedaleiros-leva-deficientes-visuais-para-passeios-de-bike-21976642

 

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