‘A cegueira não é o fim’, diz jovem paraense que faz o Enem 2017 e tenta entrar na universidade
‘A cegueira não é o fim’, diz jovem paraense que faz o Enem 2017 e tenta entrar na universidade

‘A cegueira não é o fim’, diz jovem paraense que faz o Enem 2017 e tenta entrar na universidade

Estudante parou de frequentar a escola por dois anos e retomou as aulas para se preparar para o Enem

Após perder completamente a visão, o jovem paraense Breno Souza, de 22 anos, quer terminar o Ensino Médio com “chave de ouro”, conquistando uma boa nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e uma vaga em um dos dois cursos superiores que almeja: pedagogia, na Universidade Estadual do Pará (UEPA) ou serviço social, na Universidade Federal do Pará (UFPA).

Breno conta que foi perdendo a visão gradativamente aos 17 anos, meses após o aparecimento de um tumor abaixo de seu cérebro. “A situação aconteceu em 2012, quando estava no 1º ano do EM. Fui perdendo a visão aos poucos e não sabia o motivo, até que os médicos detectaram esse tumor que atingiu meu nervo ótico. Passei por uma cirurgia, mas não deu certo e acabei ficando totalmente cego”, contou.

Depois do diagnóstico final, o jovem passou por dois anos de muitos medos, angústias e dúvidas. “Não reagi muito bem ao problema, fiquei triste demais e nessa passei dois anos sem fazer nada, parei de estudar. Foi quando no ano passado, com apoio da minha mãe e dos meus amigos, voltei para a escola onde estudava, em Ananindeua, fiz o 2º ano do Ensino Médio e este ano concluo tudo. Lembro que alguns professores falaram para eu cursar a EJA (Educação de Jovens e Adultos), fazer o Encceja (Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos), mas eu preferi seguir o curso normal das coisas, voltar para escola onde eu estudava, terminar e fazer o Enem”, detalhou.

Antes do problema de saúde, Breno era também técnico em manutenção de celular. Sempre muito ligado na área de tecnologia, sua vontade era fazer vários cursos técnicos na área de informática e concluir com o curso superior em Tecnologia da Informação, mas precisou abandonar suas escolhas. “Sabia que não teria mais como fazer esse curso, foi quando alguns amigos me ajudaram na escolha do que fazer. Pesquisei bastante sobre vários cursos e acabei me interessando por pedagogia e serviço social. Hoje a ideia, é entrar em um deles e trabalhar na área de educação especial, meio que me identifico (claro) e que tem crescido muito no Brasil”.

Prova do Enem

Esse foi o segundo ano que Breno se submeteu ao Exame. Em 2016, como teste, ele aproveitou para conferir as características da prova, como seria sua resolução e aproveitar para treinar para este ano, quando de fato pode lhe render a vaga na universidade. “Não tenho o que reclamar do atendimento que tive. No momento da inscrição é possível solicitar o atendimento especial e perguntam se você precisa de rampa, escolas com acessibilidade, tempo adicional, dentre outros. Me colocaram num local próximo a minha casa e muito acessível. Tinha piso tátil, rampa, elevador, salas com ar-condicionado, além de uma ledora (pessoa que lê toda a prova para o candidato) maravilhosa, que teve toda a paciência para fazer o Exame comigo, não tenho do que reclamar”, comentou.

Sobre o tema da redação deste ano, que tratava sobre o desafio na formação educacional de surdos no país, ele comemorou. “Apesar da dificuldade natural que um cego tem para ‘escrever uma redação’, já que precisamos prestar muita atenção em todos os textos que são lidos e ditar para a ledora o que queremos que ela escreva, foi fácil desenvolver o tema. Não sou surdo, mas sou cego, e algumas das dificuldades que eles têm são as mesmas nossas. Então acredito que fiz sim uma boa redação e espero que tudo dê certo”, comemorou o jovem.

Mas o maior desafio do jovem cego, ao longo de toda a mudança que precisou passar, foi mesmo superar as próprias barreiras. “A cegueira, não é o fim, a vida não para e precisamos continuar. Deus me deu a força que eu precisava quando achei que estava perdido e agora luto a cada dia pelos meus objetivos. Percebi que não podia desistir e para tudo recomeçar bastava o primeiro passo. Tive que me alfabetizar novamente, o braile é um sistema complicado, mas com força de vontade podemos vencer os obstáculos”, finalizou Breno.

Fonte: https://g1.globo.com/pa/para/enem-para/2017/noticia/a-cegueira-nao-e-o-fim-diz-jovem-paraense-que-faz-o-enem-2017-e-tenta-entrar-na-universidade.ghtml

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