O aplicativo Leitor de Estilos foi desenvolvido por Fernanda Martins, durante o 4º semestre do curso de Design da Moda, da Universidade de Fortaleza (Unifor), em 2015. Em uma das cadeiras do curso, ela tinha que desenvolver uma coleção com oito produtos diferenciados. Um dos produtos que criou foi o aplicativo para dispositivos móveis, que tem como proposta apresentar informações sobre estilo e moda voltado para pessoas com deficiências. “Gostaria de viabilizar caminhos para que pessoas com deficiências fizessem suas escolhas em relação ao que vestir, contribuindo ainda para que elas mesmas identificassem o seu próprio estilo, com autonomia. Na coleção, deveria ser produzido ainda a etiqueta da roupa. Tomamos a decisão de associar uma solução para os dois produtos. O aplicativo lê as informações sobre o vestuário que estão na etiqueta. Nasceu, assim, o app Leitor de Estilos, que, posteriormente, se tornou o meu TCC”, contou Fernanda, atualmente formada. 

O protótipo do Leitor de Estilos já existe voltado para Android, mas ele ainda não está disponível para download. 

O projeto, além de Fernanda, contou com o apoio do professor Eurico Vasconcelos, do Núcleo de Aplicação em Tecnologia da Informação (NATI) da Unifor, e sua equipe, e do aluno do curso de engenharia da computação Everton Freitas, que ficou responsável pelo desenvolvimento da ferramenta.

“Também gostaria de destacar a participação da minha orientadora e consultora de imagem e estilo, Renata Santiago, do João Bosco de Farias, professor de informática educativa na Associação de Cegos do Estado do Ceará (ACEC) e da professora Ana Cláudia Farias, coordenadora do curso de design de moda”.

Como funciona

Através da câmera do smartphone, o usuário do aplicativo Leitor de Estilos irá capturar as informações do código de barra 2D que estará estampado na etiqueta da roupa. Para usar esse recurso, o usuário não precisa de internet. Inicialmente serão colocadas no QR Code as informações que são obrigatórias por lei, as que o Imetro exige, que são tamanho, tipo de tecido, processo de lavagem, CNPJ, marca e país de origem. “Além dessas informações, a pesquisa que a gente fez acrescenta dados como acabamento da peça, cor, tipo de vestuário ou mix de produtos, e o estilo, que é o foco da pesquisa. A partir das respostas dos entrevistados, a gente construiu quatro estilos”, diz a designer de moda. 

“Às vezes você vai fazer uma compra e não tem muita ideia do seu estilo. Ou, às vezes, olha para a roupa e até gosta, mas no convite que recebeu diz que o traje é formal ou mais casual. E o app ajudará a compor o look para àquele determinado evento”.

Fernanda frisa que seu principal intuito é ampliar a inclusão das pessoas com deficiência no mundo da moda. “Incluindo os deficientes visuais, considerando que os dispositivos móveis de telefonia já contam com recursos para que eles obtenham informações sobre qualquer produto ou serviço, via etiquetas QR Code. Nas entrevistas para a pesquisa, as pessoas responderam que esse recurso seria muito bem-vindo. Estivemos com pessoas da ACEC e eles responderam que se sentiriam mais à vontade com o app para fazer suas escolhas. Falando do ponto de visa do fabricante, eles ainda poderão, com as informações da etiqueta, traçar um perfil do consumidor das suas peças de vestuário e, a partir disso, criar estratégias de venda. Nossa ideia é que todas as peças venham com o QR Code. Por enquanto, estamos investindo em aperfeiçoar o protótipo e a etiqueta”, complementa.

A novidade que o aplicativo traz, ainda segundo Fernanda, é mostrar a informação do estilo, que não consta na etiqueta tradicional, de forma coloquial. “O objetivo é que quando o consumidor, tenha ele deficiência ou não, for fazer a leitura do QR Code, entenda o que tá sendo dito e isso facilite pra que ele compreende que peça é essa”. A designer também reforça a importância da participação das mulheres na criação de ferramentas tecnológicas. “Tem um site, o PrograMaria, que eu indico, que fala sobre mulheres e tecnologia. É um convite para estimular mulheres a pensarem programação”.

Por fim, destaca que o aplicativo também deve ficar disponível para iOS em um futuro próximo e ele deve ser disponibilizado gratuitamente. “Já está no planejamento para as próximas etapas de investimento na ferramenta”. Os investidores que quiserem entrar em contato com a Fernanda, para dar continuidade ao projeto, aliás, podem entrar em contato com ela através do e-mail nandamartins.fm@gmail.com.

Segurança dos operários

Outra ferramenta que está sendo desenvolvida pela Universidade de Fortaleza é um capacete inteligente, em parceria com a construtora Mota Machado. A ideia do produto é otimizar e acompanhar a produtividade e segurança dos operários da construção civil.

O professor Daniel Valente, um dos responsáveis pelo projeto, ao lado de Rosberg Bezerra (engenheiro da Mota Machado), Daniel Chagas (consultor da área de Internet das Coisas), Carlos Caminhas (consultor da área de Análise de Dados) e Raphael Coelho (programador), explica que o capacete terá sensores que vão permitir que os executores das obras possam ter dados sobre a construção através de portais espalhados pelo local. 

“Eles vão ter informações sobre a localização de baixa precisão dos operários na obra em tempo real, possibilitando identificar em que andar um operário está, se foi ao banheiro, ou se está em outra dependência. Ainda será possível identificar o uso correto dos equipamento de proteção individual, como, por exemplo, se o operário está com o capacete corretamente colocado ou se foi retirado”. 

“O capacete também registra a movimentação do operário, a fim de se criar métricas de desempenho de tarefas, e se ele está utilizando aparelho celular indevidamente, pois em uma obra o uso de smartphone é um risco à segurança”, comenta ainda Daniel.

Também faz parte do projeto um software que será capaz de identificar dados importantes em tempo real através de técnicas de análise de dados, possibilitando uma tomada de decisão quase que imediata. “A demanda surgiu da própria Mota Machado, já que eles precisavam de alguma ferramenta para medir a produtividade da obra e que também pudesse ajudar na segurança”, completa.

O projeto começa a ser desenvolvido este mês e deve ser lançado até o final do ano. A ideia é vender a solução para outras construtoras interessadas na solução

Fonte: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/suplementos/tecno/grandes-solucoes-na-palma-da-sua-mao-1.1952554