Bio. Tátil: A biologia na palma das mãos
Bio. Tátil: A biologia na palma das mãos

Bio. Tátil: A biologia na palma das mãos

Em um curso de adaptação de materiais, ministrado pelo livre docente em ensino de física, pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Ilha Solteira, e deficiente visual, Eder Pires de Camargo, foi onde as estudantes do curso de Biologia, Débora Martins Lopes, de 21 anos, e Pérola Villalobo Garcia, de 22, tiveram a ideia de trazer o conhecimento para a palma das mãos e criaram a Bio. Tátil.

As estudantes que nunca tiveram contato com nenhum tipo de educação especial decidiram então criar um projeto onde pudessem mostrar tudo que envolve a biologia para pessoas deficientes. “Estava participando do curso quando, do nada pensei: ‘por que o mundo microscópico só tem que ir para escola? Ele pode ir muito além disso!’”, contou Débora que logo procurou a amiga Pérola para falar sobre sua ideia.

“O Mundo Microscópico era um projeto onde levávamos alunos de ensino médio para o laboratório da faculdade” explicou Pérola. “Explicávamos todo o conteúdo, a parte prática, eles podiam mexer no microscópio e nas lâminas e ela teve a ideia de tornar tudo isso inclusivo”.  As estudantes contaram que ao longo da licenciatura, a questão do ensino inclusivo não é visto.

Para Débora “as pessoas separam a inclusão da educação, sendo que educação é sinônimo de inclusão. A educação sempre será inclusiva independente da cor, do endereço ou da deficiência que a pessoa tem”. Decidiram então falar com seu orientador, Leandro Mantovani de Castro, que adorou a ideia e contou que era vizinho de uma criança deficiente visual, aluna do Lar das Moças Cegas.

Após escreverem o projeto, estudar mais sobre o assunto e a modelar as primeiras maquetes, as estudantes foram até o LMC para implantar o Bio. Tátil para os alunos. “Quando criei as primeiras lembro de fazer tudo vendada. Coloquei uma venda e pensava em todo o conteúdo de biologia que eu queria passar e produzia sem ver nada”, contou Pérola.

O Bio. Tátil atende alunos de todas as idades, desde o baixa visão até o cego total. Para elas, atender o público deficiente visual é sair da zona de conforto e envolve diversas questões e cuidados. Pérola conta que “nunca tinha reparado o quanto somos ‘visuais’. Depois que comecei a modelar que comecei a perceber. Entrei num personagem para fazer as maquetes. Eu tive que me por no lugar do outro”.

“Passei a enxergar o mundo com outros olhos”, conta Débora. A carência educacional e afetiva de muitos deficientes ainda é um dos maiores problemas. “Isso faz a gente refletir em que mundo vivemos. O que podemos fazer quando ensinamos sobre células, mas o aluno de 18 anos, formado, não sabe nem o que é um círculo?”

Além de biologia, as estudantes tem um tratamento especial com os alunos do LMC, o que mostra o sucesso do projeto na Instituição. O Bio. Tátil tem planos para ir além e o sonho das futuras biólogas é implantar o método de ensino nas escolas regulares e criar um site plataforma para que professores e alunos busquem informações.

“Os alunos vivem pedindo para que a gente leve o projeto para as escolas, por que não lutarmos para inseri-lo no ensino regular?” disse Pérola. “Por que não ensinarmos aos professores que acabou essa história só escrever e desenhar na lousa! Temos muitas outras formas de ensinar.”

 

Feira da Bio. Inclusão

Feira Bio. Inclusão que aconteceu em 2017, no Lar das Moças Cegas.

As estudantes não só implantaram o Bio. Tátil no Lar das Moças Cegas, como criaram um evento que reuniu diversos projetos e que contou com a presença de alunos da Instituição e de outras entidades de ensino especial. O sucesso da primeira Feira da Bio. Inclusão, como foi chamada, despertou a curiosidade de outros alunos do LMC que ainda desconheciam o projeto.

“O feedback dos alunos do Lar foi: de sete pessoas para sete turmas de diversas idades. Turmas lotadas, foi um ‘boom!’ de interesses; conseguimos despertar o interesse deles por causa da feira”, contou Pérola. Para Débora, o reconhecimento é a parte mais legal, pois durante as aulas, os alunos se lembram de tudo que foi colocado no evento.

A Feira também contou com oficinas.

Nesta feira o público pode tocar e conhecer animais marinhos, fósseis, além da conscientização no consumo, preservação e etc. O evento também contou com palestras sobre Proteção dos direitos das pessoas com deficiência e políticas para as pessoas com deficiência visual.

Com o evento, as estudantes conquistaram o reconhecimento e despertaram a vontade de pessoas de outros cursos a trabalhar com material inclusivo. “Demos uma cutucada no campus inteiro”, explica Pérola. “Outros projetos da faculdade vieram para o LMC depois da feira”.

Débora conta que “dentro das aulas, quando tínhamos que fazer projetos manuais, tudo era feito de qualquer jeito. Depois da feira, todo mundo começou a fazer material inclusivo sem professor exigir; começaram a se importar”.

As pessoas que trabalharam como monitores passaram por uma oficina ministrada por Débora e Pérola. Neste treinamento acontecem dinâmicas, onde eles passam por situações que os deficientes visuais encontram no dia a dia. “Simulamos situações do cotidiano dos nossos alunos aqui no Lar”, explicou Pérola.

 

II Feira da Bio. Inclusão e I Workshop para o Ensino Inclusivo

Neste ano o evento acontece nos dias 18 e 19 de setembro, na Universidade Santa Cecília, em Santos, com o formato um pouco diferente do que foi no ano passado. A II Feira da Bio. Inclusão e I Workshop para o Ensino Inclusivo contará com palestras, oficinas e apresentações culturais com profissionais e especialistas da área de educação e de outras áreas do conhecimento.

O evento ainda contará com apresentações de trabalhos científicos acerca do tema e, por fim, uma Feira de ciências inclusiva, que além de propiciar aos participantes a oportunidade de conhecer as ciências sob uma nova perspectiva, servirá como um laboratório para práticas de ensino para futuros educadores.

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