Com 582 mil cegos, demanda por livro em braile cresce no país
Com 582 mil cegos, demanda por livro em braile cresce no país

Com 582 mil cegos, demanda por livro em braile cresce no país

Fundação que imprime livros no sistema aumentou produção em 82% para atender demanda de livros didáticos em braile

“Eu amo ler, gosto muito mesmo”, assim nos recebe a pequena Maria Eduarda, 8, algo normal, não fosse um único detalhe: ela é cega desde quando nasceu. Comunicativa, alegre e falante, ela foi alfabetizada na escola usando o sistema braile.

Em um país que tem 582 mil pessoas cegas, segundo dados do último censo, o braile é uma das principais maneiras destas pessoas poderem estudar, fazendo a demanda pelo material crescer no país.

“O braile é o sistema universal e por meio dele que, principalmente, crianças que nascem cegas ou perdem a visão nos primeiros anos de vida são alfabetizadas e aprendem também matemática, química e física”, diz Regina Oliveira, que é cega e coordena a revisão de livros em braile na Fundação Dorina Nowill.

A fundação mantém um dos maiores parques gráficos e conjunto de impressoras para produção de livros em braile no país e com a demanda cada vez mais em alta, funciona 24 horas por dia para imprimir livros no sistema de leitura universal dos cegos.

“Nós ampliamos nossa produção de 80 mil, para 450 mil páginas por dia e até o final de fevereiro vamos entregar mais de 10 milhões de páginas em braile com conteúdo de livros didáticos”, explica Alexandre Munck, superintendente da Fundação.

Essa produção de livros didáticos é considerada imprescindível para ampliar o acesso de pessoas cegas a conteúdo das séries iniciais de educação no país, que é assegurada por um decreto de lei de 2015, que garante conteúdo acessível a quem tenha alguma deficiência no país.

“Eu consegui fazer até o ensino médio e alguns cursos profissionalizantes pelo sistema braile, mas no ensino médio, na época, eu mesmo precisei fazer a adaptação de alguns materiais para braile, que não estavam disponíveis”, conta Lucas Matias, 22 anos.

Além dos livros didáticos, a Fundação também faz a transcrição de cardápios, catálogos e impressos corporativos. Pessoas com deficiência visual podem também solicitar a transcrição de materiais de estudos e de apoio pessoais gratuitamente.

O braile

O braile foi desenvolvido em 1825 pelo estudante Louis Braille inspirado em um código de escrita militar preparado a pedido de Napoleão Bonaparte, na França, para facilitar a comunicação de soldados a noite.

O sistema é uma matriz de duas colunas e três linhas marcadas por pontos em relevo que podem ter 64 combinações diferentes. Cada conjunto de linhas e colunas pode representar todos os caracteres do alfabeto, números, acentuação e pontuação conhecidos.

O braile permite que, com a ponta mais sensível do dedo, o deficiente visual possa identificar as letras e fazer a leitura de qualquer material impresso com o sistema e em qualquer idioma.

Mulher faz leitura de material em braile na Fundação Dorina Nowill

Márcio Neves/R7

Transcrição

O processo de conversão do texto impresso para o conjunto de códigos em braile é chamado de transcrição. Existem livros exclusivos em braile, que tem as páginas em branco com marcações do sistema em relevo, ou os que também possuem a impressão normal acompanhada da marcação do braile e permitem que pessoas que não tenham nenhuma deficiência também possam ler o material.

Na Fundação Dorina Nowill, uma das entidades mais atuantes na inclusão de deficientes visuais no país, após este processo de transcrição, os livros são revisados duplamente por uma equipe de pessoas cegas para garantir a fidelidade do conteúdo adaptado ao braile.

A impressão do material pode ser feita de duas maneiras, por meio de impressoras de braile, similares a um equipamento normal de impressão, mas que faz a marcação de relevo do código braile, ou, por meio de prensas que imprimem a marcação por meio de matrizes feitas em aço, em um processo similar a impressão gráfica tradicional, só que sem tinta e apenas com pressão.

Fonte: https://noticias.r7.com/sao-paulo/com-582-mil-cegos-demanda-por-livro-em-braile-cresce-no-pais-10022019

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