Dia de Luta da Pessoa com Deficiência rende discussão sobre empregabilidade
Dia de Luta da Pessoa com Deficiência rende discussão sobre empregabilidade

Dia de Luta da Pessoa com Deficiência rende discussão sobre empregabilidade

Mesmo com toda a capacitação e preparo necessários a portadores de diversos tipos de deficiência, o que você e sua empresa estão fazendo para abrir oportunidades?

Este foi o questionamento feito na reportagem especial do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, lembrado em 21 de setembro, pelo Jornal A Tribuna, que destacou o programa Visão Eficiente, do Lar das Moças Cegas, de Santos (SP).

#pracegover

TRABALHO É DESAFIO A DEFICIENTES

Sheila Almeida, da redação

Hoje é Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência (PcD) – data na qual mais de 45 milhões de pessoas no País lembram que têm desafios extras. Entre eles, o da inserção no mercado de trabalho.
São Paulo foi o estado que mais contratou PcDs em 2018: 133.481 trabalhadores.
Mas 46.900 deles (35%) foram empregados em decorrência de fiscalização da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, segundo dados do Ministério
da Economia.
Oseias Soares de Lima, assistente social do Centro Público de Emprego e Trabalho de Santos (CPET), conta que a principal dificuldade é empregar
quem tem deficiência intelectual. Grande parte das empresas não aceita
nem entrevistar candidatos com esse perfil.
“Trabalho aqui há um ano e dois meses e acompanho apenas pessoascom deficiência
intelectual. São cerca de 40 e, desse tempo para cá, apenas uma conseguiu
emprego. Somando os outros, dá um total de 120.Este ano, foram 23 empregados”, conta.
Paula Lopes, pedagoga e responsável pelo projeto Visão Eficiente do Lar das
Moças Cegas (LMC), confirma a dificuldade. No projeto, jovens a partir de 14
anos são treinados em cursos de dois anos. Há padaria inclusiva e aromaterapia
na área do empreendedorismo e, no preparo para empresas, informática, telefonia, entre outros. Neste ano não houve nenhum novo aluno empregado.
Em 2018 foram dez.

PROBLEMA
Também integrante do Fórum de Empregabilidade da Pessoa Com Deficiência de Santos (Fepec), que reúne diversas entidades de auxílio a deficientes, Paula
Lopesrevela o problema.
“Chega um deficiente numa empresa e ninguém sabe como lidar. Aí, todo
mundo o deixa de lado. Até em sala de aula tem professor que, na hora de falar
com o aluno, se dirige ao amigo do lado. Hoje, há programas de computador e celular gratuitos e muita facilidade para adaptar o trabalho a todos”, explica.
Oseias Lima concorda, nem sempre são os ambientes que precisam de adaptação.
“Tem que mudar a atitude das pessoas e não o ambiente”, aponta.

DISCRIMINAÇÃO NAS VAGAS
No CPET de Santos, somente um quarto das vagas que aparecem, ou menos, são a
PcDs. “Nas entrevistas, focam tanto na deficiência que deixam de analisar as
qualidades reais das pessoas.Muitas são bem qualificadas.O que falta mesmo
é a oportunidade”, diz, lembrando também dos cargos direcionados.“Auxiliar de limpeza, auxiliar administrativo. Não se sabe se o problema é o preconceito
na hora de contratar ou medo de os clientes não saberem lidar com o funcionário”, afirma.
Para Paula Lopes, independentemente disso, seria bom apenas conhecer esse
mundo. Por isso, o LMC realiza, além das capacitações abertas ao público
cego da região, consultorias a empresas, escolas e faculdades.
“O maior incentivo não deveria o de ser fiscalizado e estar em dia com a obrigação.Mas de quebrar preconceitos”, diz.
Kleiton Batista Nascimento Silva, aluno do LMC de 17 anos que estuda
telefonia, resume, numa rima. “Mesmo sendodifícil, nós temos que lutar,
porque só com esperança a gente vai conquistar. Mostrando a postura a todos os aliados, prova que é profissional e cego não é coitado”.

Yanca Fernandes dos Santos, 19 ANOS
Ela está no curso de padaria artesanal. “Estou fazendo o
básico, para aprender a me virar. Mas quero fazer Psicologia,
porque amo conhecer as pessoas e acho incrível como cada ser humano é único e especial a sua própria maneira”, conta a menina que tentou ser jovem aprendiz mas, ao notarem a cegueira, foi dispensada da sala de entrevista sem abrir a boca. “Falaram direto com a minha mãe”.

Zaine de França Lafaiete, 24 ANOS
“Só consegui chegar com muito esforço. Quando colocam num anúncio de emprego que precisam de deficiente ou PcD, não podem especificar uma deficiência. Mas,
quando você chega na empresa, dizem que não conseguem empregar. Nem te perguntam o que você faz. Consegui me tornar telefonista e trabalho num call
center. Não aceito não conseguir fazer o que todos fazem”. Ela também é massoterapeuta, atleta e cursa fisioterapia.

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