7 crenças da Saúde da Visão desmascaradas no #DiaDaMentira
7 crenças da Saúde da Visão desmascaradas no #DiaDaMentira

7 crenças da Saúde da Visão desmascaradas no #DiaDaMentira

Tradicionalmente uma data que provoca pegadinhas e distorce fatos, o Dia Internacional da Mentira pode ser usado também para disseminar informação. Positiva e verdadeira!

No Lar das Moças Cegas, instituição social que atende 400 deficientes visuais na Baixada Santista (litoral de São Paulo), a desmistificação de conceitos é levada muito a sério. E, no nosso Dia da Mentira, nada aqui é para te enganar. E, sim, conscientizar sobre a realidade.

Por isso, separamos 7 frases da Saúde da Visão para a oftalmologista especialista em Baixa Visão, Bruna Roman Bois, desmistificar e esclarecer.

1. Se eu enxergo bem, não é necessário consulta no oftalmologista.
“Precisa, sim!”, enfatiza a médica. “Muitas doenças da visão não tem sintomas. São silenciosas. Glaucoma, por exemplo. No início dele, quando ainda é possível reverter, a gente só sabe quando faz check-up. Uma pessoa que é diabética, por exemplo… Mesmo frequentando o endocrinologista e controlando a doença adequadamente, com 10 anos de diabetes pode começar a ter alguma lesão no vaso do olho. Por isso, tem de fazer exame de fundo de olho todos os anos”, explica a oftalmologista.

2. O que você come não tem nada a ver com a saúde da sua visão.
“Não procede. Uma alimentação saudável interfere diretamente na saúde ocular, principalmente na retina. Alimentos anti oxidantes e carotenoides (frutas cítricas, em cores do amarelo ao vermelho, vegetais escuros, peixes e ovos), ajudam no fornecimento de vitaminas para o organismo. Vitaminas do grupo B, como B6 e B12, de origem animal, são extremamente necessárias para a cicatrização de uma cirurgia refrativa, por exemplo”, afirma.

3. Perdi meu óculos, mas minha mãe tem o grau parecido. Posso usar o dela?
“O grau é totalmente personalizado para cada olho. Os eixos são individuais. No caso do astigmatismo, por exemplo: os eixos do astigmatismo são irregularidades da córnea ou da retina que entram em determinado eixo e precisamos arrumar. Focar no ponto onde forma a visão. Então, se você usa os óculos de outra pessoa (mesmo que pareça estar enxergando devidamente), você está formando a visão num ponto que não é para formar. Você pode até enxergar, mas terá consequências terríveis. Uma forte dor de cabeça ou pode dar início a outro problema”.

4. O uso de computador não implica em grau oftalmológico.
“Esse é mais um mito. O uso excessivo de computador e celular implica em uma força desproporcional na visão. Esse é um problema corriqueiro entre as crianças (e adultos) nos dias atuais, por ficar horas e horas em frente aos aparelhos eletrônicos. No Japão, por exemplo, já existem estudos indicando forte crescimento de miopia no país. As pessoas trabalham muito, por muitas horas, sempre em frente a uma tela… Então o grau está aumentando, aparecendo mais cedo e em mais gente”.

5. Criança não precisa de acompanhamento oftalmológico.
“Na verdade, é extremamente importante. Principalmente até os 7 anos, que é quando acontece a formação da visão. Se você não desenvolve isso até essa faixa etária, usando o grau adequado, depois ela não poderá alcançar mais sua capacidade total de visão. É aí que pode dar início a uma deficiência visual. Por isso, é muito importante o acesso à avaliação oftalmológica na primeira infância. Muitos problemas, a gente já previne aí”.

6. A economia de um país não impacta na deficiência visual da população.
“Esse é um fator de grande interferência. Países subdesenvolvidos têm dificuldade em infraestrutura na saúde pública, o que afasta a oportunidade de grande parcela da população ter acesso a um acompanhamento com oftalmologistas. Pelo mundo, cerca de 70% dos casos de problemas visuais são por patologias que poderiam ser revertidas, como a catarata. Ou seja, não existe em muitos casos o aporte necessário à população. Já nos EUA, por exemplo, onde há toda a condição financeira e de saúde, as doenças da visão são majoritariamente relativas à idade. O corpo envelhece, os órgãos envelhecem… E só nesse estágio avançado, os pacientes começam a apresentar sintomas de saúde da visão”, ressalta a oftalmologista.

7. Cedi meu assento para um deficiente visual no ônibus, mas ele guardou a bengala e começou a mexer no celular. Cego fake.
“Boa parte dos deficientes visuais são aqueles do estágio de Baixa Visão. Eles não são cegos, mas tem o resíduo visual (ou seja – a porcentagem de visão) bastante reduzida. Muitas vezes, a pessoal tem aquela visão “tubular”. Só enxerga bem no meio do olho, à sua frente. Como se estivesse olhando por dentro de um tubo de caneta. Então, obviamente, não consegue andar na rua sem auxílio da bengala-guia. É deficiente visual. Mas aí entra no ônibus e mexe no celular perfeitamente. Por isso, aquela campanha da bengala verde, que é justamente para chamar atenção aos pacientes da Baixa Visão. Pessoas que têm a visão limitada para algumas coisas, mas outras atividades desenvolvem normalmente. E elas precisam ser mais reconhecidas, respeitadas e aceitas”, finaliza Bruna.

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