Braille permite deficiente visual ingressar no universo da leitura

Braille permite deficiente visual ingressar no universo da leitura

Aluna aprende Braile no Lar das Moças Cegas

Um tabuleiro e duas colunas com seis pontos. O que pode parecer um jogo é, na verdade, a base do Sistema Braille de leitura e escrita. Mesmo com a tecnologia, ele ainda é um dos principais instrumentos de inclusão de pessoas com deficiência visual. O Braille, para uns, serve para desvendar um mundo novo. Para outros, encaixa-se perfeitamente na fechadura que abre uma porta para o recomeço.

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O Lar das Moças Cegas, em Santos, há anos alfabetiza crianças pelo sistema, mas também o ensina para pessoas que, por algum motivo, perderam a visão. A professora Sandra Regina de Souza Silva dá aulas para alunos a partir dos 14 anos. Boa parte deles passou a não enxergar mais por problemas decorrentes do diabetes, glaucoma ou pressão alta.

“Cada um tem seu tempo, mas é uma satisfação vê-los progredindo. É uma satisfação ensinar porque o que queremos é que eles se reabilitem. E, por isso, a escrita e a leitura em Braille são fundamentais. É uma nova descoberta, mas que neste caso precisa também de um suporte emocional”, diz.

Josilete Guimarães dos Santos, de 55 anos, sabe disso. Com 43 anos, o mundo que ela estava acostumada a ver sumiu. “Eu desenvolvi diabetes e um belo dia, tudo escureceu. Fui para o interruptor para acender a luz, mas nada mudou. Meus pais ficaram cegos por conta do diabetes, mas eu não imaginei que isso pudesse acontecer comigo. Mas aconteceu”, conta.

A cegueira que no início foi difícil de aceitar, hoje, Josilete tira de letra. O foco, agora, é ler. Mas para isso, ela ainda teve que se adaptar à diminuição da sensibilidade nos dedos, provocada pela doença. Para isso, mais uma vez a professora Sandra ajudou. Ela adaptou um papel especial que aumenta o relevo e facilita Josilete sentir os pontinhos.

“Eu já estou conseguindo ler algumas coisas. Aqui, por exemplo, está escrito: ‘Leia as palavras’. E é uma felicidade tão grande quando leio”, admite sem conter um sorriso orgulhoso. Ela garante que aprender a ler lhe trará mais independência e mostra que ainda há muito o que viver. “Meu sonho é ler livros”.

Edileusa Pereira, de 60 anos, por problemas de diabetes e glaucoma, enxerga apenas vultos. Há dois anos no Lar das Moças Cegas, brinca que dá trabalho para a professora, mas sabe que só a decisão de aprender Braille já é a demonstração de um passo. Largo, diga-se de passagem.

“Não enxergar, para mim, foi um choque. Eu caí muito. Mas agora estou superando. Quero muito passar minha mão no papel e conseguir saber o que está escrito. Espero que isso me dê mais independência”, revela.

Fonte: http://www.atribuna.com.br/cidades/santos/braille-permite-deficiente-visual-ingressar-no-universo-da-leitura-1.375396

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