Após protesto, brasileira leva ouro nos 800m em Doha, mas chora por amiga

Após protesto, brasileira leva ouro nos 800m em Doha, mas chora por amiga

Renata Bazone termina prova T11 (cego total) em segundo lugar, mas é beneficiada pela desclassificação da colombiana Maritza Buitrago, que foi ajudada pelo seu guia

Não foi do jeito que ela esperava, mas o ouro de Renata Bazone nos 800m T11 (cego total) no Mundial Paralímpico de Atletismo, em Doha, no Catar, colocou o Brasil em sétimo lugar no quadro de geral de medalhas, com 33 pódios, sendo oito ouros, 12 pratas e 13 bronzes. Nesta sexta-feira, carioca radicada na Serra (ES) cruzou a linha de chegada em segundo lugar, com o tempo de 2m24s31, atrás apenas da colombiana Maritza Buitrago. A adversária, no entanto, não aguentou se manter no ritmo até o fim e se apoiou no guia, Jonathan Gonzalez, o que não é permitido. O Brasil protestou, e Buitrago foi desclassificada, dando o ouro de presente para Renata. A chinesa Jin Zheng, em terceiro lugar, também foi punida com a desclassificação, graças a um protesto de Angola, que reclamou pelo fato de ela ter sido empurrada pelo seu parceiro, Yubo Jin. A angolana Befilia Buya (2m34s72) acabou levando a prata, em um pódio que ficou sem o bronze.

Renata Bazone após ver amiga colombiana, Maritza Gonzales, perder o ouro por punição (Foto: Daniel Zappe/MPIX/CPB)
Renata Bazone após ver amiga colombiana, Maritza Gonzales, perder o ouro por punição (Foto: Daniel Zappe/MPIX/CPB)
Renata Bazone cruzou a linmha de chegada dos 800m em segundo lugar, mas, após punição de rival, conquistou o ouro no Mundial  (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CPB)Renata Bazone cruzou a linha de chegada em 2º, mas ficou com o ouro após punição de rival, Maritza (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CPB)

– O erro do guia da colombiana foi somente ter segurado a Maritza, caso contrário, ela iria cair. Fico feliz pela medalha, mas reconheço que ela é uma guerreira. A gente vem tendo competições juntas, e eu gosto muito dela pessoalmente. Somos amigas. Acho que ela realmente deveria ter levado essa medalha. Infelizmente, aconteceu isto. De qualquer forma, eu considero esse meu ouro um pouco dela também. Mas estou muito feliz pela medalha – disse Renata.

Chorando copiosamente pela derrota da amiga, a brasileira foi levada após a corrida pelo guia, Fernando Ribeiro Junior, até Maritza nas arquibancadas do Qatar Sports Club. Elas se conheceram quando a colombiana participou de uma etapa do Circuito Nacional em Fortaleza, no Ceará, em 2012, estreitaram os laços e nutrem boa relação dentro e fora das pistas.

– Seria muito mais gostoso se eu tivesse passado em primeiro naquele momento, com a galera gritando o meu nome. Por eu conhecer a Maritza e acompanhar a sua carreira, eu fiquei triste, de coração, porque sei o quanto ela é guerreira. Não queria ser injusta. A prata eu já tinha, consegui o bronze nos 1.500m e estava feliz. A prova dos 800m veio para somar, mas, confesso, fiquei triste – admitiu a carioca.

Renata Bazone chorou muito após ver a amiga, Maritza, sendo desclassificada na final dos 800m T11 do Mundial (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CPB)
Renata Bazone chorou muito após ver a amiga Maritza desclassificada nos 800m (Foto: Marcio Rodrigues/MPIX/CPB)
O guia da chinesa puxou tanto que até derrubou. A colombiana a mesma coisa. Nos últimos 50m, além de ter sido puxada, ela ainda segurou o braço do guia durante 14 passos. Foi bem gritante. Fizemos o protesto verbal e depois entramos com a papelada e o vídeo contra a colombiana, que foi desclassificada. E os nossos irmãos angolanos entraram em um protesto contra a chinesa, que também foi desclassificada. Isto acabou gerando um pódio de língua portuguesa”
Ciro Winckler, coordenador técnico do atletismo paralimpico brasileiro

Coordenador técnico do atletismo paralímpico do Brasil, Ciro Wincker explicou o motivo pelo qual o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) optou por mais um protesto, assim como ocorreu na disputa dos 400m T11. E comemorou o pódio com sotaque português.

– A final dos 800 T11 foi extremamente disputada pela colombiana, brasileira e chinesa. No fim, elas cansaram, e os guias da colombiana e da chinesa começaram a puxar. O guia da chinesa puxou tanto que até derrubou a atleta. A colombiana a mesma coisa. Nos últimos 50m, além de ter sido puxada, ela ainda segurou o braço do guia durante 14 passos. Foi bem gritante, mas a arbitragem não desqualificou. Assim que terminou a prova, fizemos o protesto verbal e depois entramos com a papelada e o vídeo contra a colombiana, que foi desclassificada. E os nossos irmãos angolanos entraram em um protesto contra a chinesa, que também foi desclassificada. Isto acabou gerando um pódio de língua portuguesa, com Brasil e Angola.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/paralimpiadas/noticia/2015/10/apos-protesto-brasileira-leva-ouro-nos-800m-em-doha-mas-chora-por-amiga.html

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