Aposentada cega aprende finanças com a USP e sonha viajar ao Nordeste
Aposentada cega aprende finanças com a USP e sonha viajar ao Nordeste

Aposentada cega aprende finanças com a USP e sonha viajar ao Nordeste

Com dicas de economia, ela se vê mais perto de conhecer Porto de Galinhas.
Alunos da faculdade de economia dão curso especial a deficientes visuais.

O fato de não enxergar deixou de ser, há muito tempo, um obstáculo para a aposentada Isabel Fernandes, de Ribeirão Preto (SP). Mas sobreviver com um salário mínimo é um desafio para a dona de casa, diante da frequente alta dos preços nos supermercados.

O projeto “Pé de Meia”, curso gratuito de educação financeira promovido por estudantes da Faculdade de Economia e Administração (FEA), da USP, reacendeu um desejo que parecia distante a Isabel: fazer uma viagem para Porto de Galinhas (PE). “É difícil, mas eu vou colocar na prática o que aprendi no curso”, afirma.

Para ficar mais perto de realizar o sonho, a aposentada agora sabe o que fazer. Ao lado de outras pessoas com deficiência visual, Isabel teve aulas gratuitas e acesso a um material didático em braile elaborado pela Associação dos Deficientes Visuais de Ribeirão Preto e Região (Adevirp) que ensinam a lidar com as contas e a poupar recursos.

Lições de economia
Inflação, taxa de juros, planejamento e formas de investimento são algumas das lições dadas nos quatro módulos do projeto. Depois de quatro anos dedicado ao público em geral, a iniciativa adaptou o conteúdo das aulas para quem perdeu a visão.

“Eles têm as mesmas necessidades das outras pessoas e a gente percebeu que eles têm até mais independência pra lidar com tudo do que outros. Eles são tão estimulados a serem independentes que aqui eles já têm isso”, afirma o estudante de administração Gilson Ramos, um dos membros do “Pé de Meia”.

A limitação visual não é um problema para o aprendizado, mas muitos dos atendidos pelo curso enfrentam outras dificuldades que influenciam diretamente em suas finanças, como um número menor de oportunidades de trabalho, afirma a psicóloga da Adevirp, Nadine Lúcia Abraão.

“A deficiência visual em si não interfere em nada no sentido de terem potencialidade, capacidade para terem uma vida financeira com sucesso”, diz.

Planejamento e sonhos
Um dos matriculados no curso, o aposentado Evandro Josefino Neves sabe o quanto é difícil administrar sua pensão. “Se gastar mais do que a gente ganha em parte do mês a gente vai passar fome”, diz.

Porém, agora está convicto de que, com um pouco de planejamento, é possível sobreviver, se precaver para situações de emergência e ainda por cima investir em projetos pessoais.

“A gente aprende que temos imprevistos e que a gente tem que tirar parte para poupar para fazer uma viagem, isso é importante também: o lazer”, explica o aluno.

Poupar não consiste somente na aplicação em fundos de investimento, mas também em adotar certas posturas no dia a dia, como a escolha dos produtos no supermercado, afirma a aposentada Isabel Fernandes.

Ela acredita que, com um pouco de esforço, conseguirá juntar seu “pé de meia” para conhecer o litoral pernambucano. “Meu desafio é fazer economia, porque as coisas estão tão altas, tenho que sair dentro do mercado pechinchando pra achar aquilo que está na minha condição. É encaixar a compra dentro do meu pagamento, esse é o maior desafio.”

Fonte: http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2016/06/aposentada-cega-aprende-financas-com-usp-e-sonha-viajar-ao-nordeste.html

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