Apostando em quem tem o tato aguçado, curso transforma cegos em massagistas
Apostando em quem tem o tato aguçado, curso transforma cegos em massagistas

Apostando em quem tem o tato aguçado, curso transforma cegos em massagistas

Quando se perde um sentido, os outros se tornam mais aguçados. Dentro deste contexto, as mãos entram em cena quando os olhos não enxergam. Desde agosto, a turma ao redor das macas na sala de cursos do Ismac (Instituto Sul-mato-grossense para cegos Florivaldo Vargas) está aprendendo massoterapia. Uma parceria do Instituto com o Senac e que de quebra vai abrir horários para clientes com massagens gratuitas em dezembro.

As aulas teóricas são descritas e as práticas, feitas uns com os outros. Samuel e Adelaide se revezam nessa parte. Ora ele massageando, ora ela treinando as mãos. Servidor público federal, Samuel Pretto enxerga apenas 5% e vê na massoterapia, uma segunda profissão.

“Já tivemos a técnica de relaxamento, modelagem e agora vai entrar nas drenagens linfáticas”, conta o aluno Samuel, de 43 anos. Ele sabe que por ter mais sensibilidade, consegue atender melhor os clientes. “Porque a gente pode perceber coisas que muita gente não consegue, hoje, por exemplo, Adelaide está tensa, mas pode ser que seja pela reportagem”, brinca.

De aluna a paciente, Adelaide Cândida da Silva, que tem 62 anos e não enxerga desde os 7, explica como é aprender no próprio corpo. “É uma técnica um pouco difícil, então tem que ser explicada passo a passo. Você aprende no colega e na gente mesmo”, diz.

A ideia do curso é dar oportunidade de trabalho e rendimento extras aos deficientes visuais. A próxima turma deve ser montada a partir de março do ano que vem.

Fisioterapeuta, é Luiza Helena Gasparini, quem ministra as aulas pelo Senac. “O desafio foi adaptar os materiais e a forma como você vai passar a técnica, mas ao mesmo tempo em que é um desafio, compensa pelo crescimento pessoal e profissional”, diz.

Ela usa a sinestesia e as sensações para trabalhar cada aula. “A gente descreve passo a passo e eles sentem neles mesmos para conseguirem ter a percepção do que é ensinado”, explica.

O projeto é gratuito, existe desde 2008 com o nome “Mãos que trabalham” e já formou 54 massoterapeutas. As inscrições para o próximo curso devem abrir em março, mas os interessados em ser “cobaias”, podem esperar pela prática supervisionada que será em dezembro.

Fonte: http://www.campograndenews.com.br/lado-b/faz-bem/apostando-em-quem-tem-o-tato-agucado-curso-transforma-cegos-em-massagistas

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