A árdua tarefa de igualar os deficientes visuais nos torneios
A árdua tarefa de igualar os deficientes visuais nos torneios

A árdua tarefa de igualar os deficientes visuais nos torneios

Atletas são divididos em três níveis de cegueira, mas competem juntos em alguns esportes

Colocar em igualdade de disputa esportiva os atletas deficientes visuais dos Jogos Paralímpicos é uma tarefa árdua. Para isso, os classificadores visuais estabeleceram três níveis de cegueira que podem competir juntos ou separados de acordo com a modalidade. No Rio-2016, há seis esportes que há participações de deficientes visuais com brasileiros competindo, são eles: futebol de 5; ciclismo; natação; atletismo; goalball; e judô.

O nível mais extremo é o primeiro ou B1, que é formado desde o atleta que tem cegueira total até aquele com percepção de claridade e vultos. O segundo ou B2 é para o deficiente que consegue definir uma letra e/ou tem 10º do campo de visão. E, por último, o terceiro ou B3 é para quem define letra e/ou tem de 10º a 40º do campo de visão. A nível de comparação, uma pesssoa sem problemas nos olhos tem de 160º a 180º.

De acordo com a modalidade, diferentes níveis de cegueira podem competir juntos como é o caso de goalball e do judô. No tatame, há apenas uma diferenciação. Os judocas que são B1 recebem uma bola vermelha no quimono para o juiz ter um pouco mais de tolerância ao puni-los por sair da área de competição. No goalball, para equilibrar, todos jogam vendados. Mas os reservas podem ficar sem vendas, o que é uma grande crítica negativa à modalidade, pois os que tem visão menos deficiente conseguem entender melhor as dimensões da quadra e as jogadas que estão acontecendo.

No futebol de 5 dos Jogos Paralímpicos, é permitido apenas jogadores B1. Não há as categorias B2 ou B3, conforme ocorre nos mundiais e outros campeonatos da modalidade. Já na natação e no atletismo, a classe muda de letra e recebe um número a mais, mas os níveis de cegueira são os mesmo das outras modalidades. No ciclismo, só há uma categoria: a Tandem, que não divisão por níveis de cegueira, e o deficiente pedala em uma bicicleta para dois com um guia-piloto, que tem visão normal.

O atletismo é o único esporte em que há competições separadas para cada nível de cegueira. As competições de pistas são divididas em T11, T12 e T13. Já as de campo ficam entre F11, F12 e F13..Já na natação do Rio-2016 ficou decidido que os competidores B2 e B3 competirão juntos enquanto os B1 fazem uma disputa à parte. Assim como no atletismo, cada prova recebe uma nomenclatura diferente, são eles: nado peito (SB11, SB12 e SB13); medley (SM11, SM12 e SM13); e livre (S11, S12 e S13).

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CLAMOR PELA INDEPENDÊNCIA

Os atletas passam por uma classificação visual nas competições internacionais. De acordo com a deficiência, uma classificação pode ser vitalícia ou pedir uma revisão a cada dois ou quatro anos. Ao longo do movimento paralímpico, muitos atletas já tentam ludibriar os classificadores, que são todos oftalmologistas. Para que esses profissionais tenham mais autonomia, urge que a classificação seja um órgão independente do Comitê Paralímpico Internacional. Ontem, em entrevista ao inglês Daily Mail, um dos principais técnicos do Reino Unido Peter Eriksson pediu essa separação. No Rio-2016, este assunto é tratado com sigilo.

— Não posso declarar nada sobre isso — disse a grega Aspasia Vouza, chefe dos classificadores visuais na Rio-2016.

Além das modalidades que há brasileiros competindo, também temos remo, triatlo, hipismo e vela com deficientes visuais no Rio-2016.

Fonte: http://oglobo.globo.com/esportes/a-ardua-tarefa-de-igualar-os-deficientes-visuais-nos-torneios-20065503

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