As muitas formas de ver a arte
As muitas formas de ver a arte

As muitas formas de ver a arte

“Deficientes visuais enxergam as coisas por meio do tato, e vejo poucos artistas que se preocupam com essa forma do sentir”. É assim que a artista plástica Maia Borkowski define a mostra “Janela da Vida”, que começa nesta terça-feira (8) e vai até 5 de dezembro na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa.

A exposição ocupa o setor braile do prédio, destinado a ações específicas (e muito valorosas) para pessoas com deficiências visuais, como leituras e encontros culturais. Composta de esculturas, pinturas, desenhos, gravuras e poemas. Além disso, a mostra oferece um livro de poesias para a leitura em braile. A mostra é, como sublinha a artista, “um dos poucos eventos voltados para esta audiência no país, algo lamentável”. Parte da inspiração para o projeto veio da oportunidade que ela teve de acompanhar os as pessoas com deficiência visual em uma exposição de xilografia. “Eles ficaram horas se divertindo, vivenciando aquilo, uma coisa muito gratificante. Um trabalho bonito”, diz.

Portanto, a chance de proporcionar a esse público a experiência artística é o principal propósito de Borkowski, já que se trata de ação bastante peculiar para um público quase esquecido no cotidiano das artes. O diálogo com eles é uma necessidade da artista, que quer interagir com todos e “fomentar o prazer da reciprocidade”.

Haverá textos explicativos a respeito das obras apresentadas, descrevendo todas as etapas do processo, desde o conceito até a elaboração, antes de sua materialização e execução. Entre esses textos, destaque para o poema que dá título à mostra, “Janela da Vida”.

Objetos táteis. No campo das artes visuais, Maia focou a seleção de suas obras em objetos táteis, especialmente esculturas, sua especialidade. Serão apresentadas obras em ferro soldado, pedras semipreciosas, resina com pigmentos e fibras naturais. E também gravuras, desenhos emoldurados, poemas e pinturas em acrílico.

“Meu maior interesse foi trazer materiais diferentes, obras em bronze, resina, pedra”, lista, dizendo novamente da importância de possibilitar a prática sensorial por parte do público. “A resina é quente; a pedra é fria”, exemplifica. “O importante é eles poderem sentir essas características e, a partir delas, construir suas sensações em relação às obras”. Outro cuidado destacado por ela foi a escolha de materiais já em sua fase lapidada, que possam não machucar o público, já que ele “terá acesso completo às obras”, sem a distância muitas vezes imposta nos museus.

 

AGENDA

O quê. Exposição “Janela da Vida”, Maia Borkowski

Quando. Desta terça-feira (8) até a 5 de dezembro

Onde. Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa (praça da Liberdade, 21, Funcionários)

Quanto. Gratuito

Fonte: http://www.otempo.com.br/divers%C3%A3o/magazine/as-muitas-formas-de-ver-a-arte-1.1396466

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.