Brasil: Estimulação precoce melhora desenvolvimento em crianças

Brasil: Estimulação precoce melhora desenvolvimento em crianças

Professora brinca com aluno deficiente visualO uso dos óculos com lentes corretivas ocorre cada vez mais precocemente. Ver bebês e crianças com armação de grau está mais comum. Também serve de alerta para os cuidados necessários com os olhos e atenção redobrada dos pais.

Estima-se que cerca de 15 milhões de crianças em idade escolar sofra de algum problema de visão, conforme levantamento feito em 2013 pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Representa mais de 7% da nossa população. Os casos mais comuns são miopia, hipermetropia e astigmatismo.

A deficiência visual, seja em um grau leve, corrigido com o uso dos óculos, ou, extremo como a cegueira, interfere no aprendizado, na auto estima e na inserção social da criança. O tratamento não basta ser o médico, também tem que envolver o meio social onde esse indivíduo está envolvido, seja o familiar ou escolar.

A inclusão da pessoa, principalmente da criança com graus mais graves de deficiência visual na rede regular de ensino ainda é um desafio. “Muitas vezes o professor tem resistência na inclusão desse aluno que precisa de uma atenção diferenciada, numa sala com 25 a 30 alunos”, explicou a professora Hellyane Solange Branco, especializada no atendimento a pessoas portadoras de deficiência visual.

Ela e outras sete profissionais atendem noventa e nove pessoas entre crianças e adultos através da rede pública estadual de ensino, nas Salas de Recursos Multifuncionais Área de Deficiência Visual, que em Umuarama funciona no Colégio Estadual Professor Paulo Alberto Tomazinho – CEPPAT.

Segundo Hellyane, crianças com baixa visão têm que ter um atendimento diferente dentro da sala. Por exemplo, quando for dado um desenho, este não pode ter muitos detalhes. Tem que ter linhas maiores e mais simples. Em outras situações, dependendo da dificuldade, o desenho tem que ter contornos coloridos.
“Nós fazemos esse acompanhamento junto com o professor da criança na sala, para orientarmos e auxiliarmos”, disse. Esse atendimento é feito visando o desenvolvimento da criança, portanto, independe se é aluno da rede pública ou privada. Também é prestado na educação infantil e fundamental.

ESTIMULAÇÃO VISUAL

Outro braço do atendimento prestado, com o apoio da Associação dos Pais e Amigos dos Deficientes Visuais de Umuarama – Apadevi é a estimulação visual, feita principalmente na primeira infância e na idade escolar. Quanto mais cedo a criança com qualquer grau de deficiência visual for estimulada, melhor será o seu desenvolvimento visual.

A estimulação proporciona condições para aquisição de controle do mecanismo visual, ensinando a ‘ver’ e utilizar-se da visão que possui. Desenvolver essa capacidade, ao mais alto grau de eficiência, é de suma importância para o rendimento escolar e qualidade de vida da criança.
A criança que necessita desse cuidado a mais é levada para o atendimento especializado por indicação médica, onde com laudo do oftalmologista e as instruções da forma de estimulação a ser trabalhada com a criança. O atendimento é sempre personalizado.

A busca pela independência

A pessoa com deficiência visual grave, com baixa visão e cegueira, é considerada alfabetizada somente após o domínio do sistema de leitura Braille. Trata-se de um alfabeto convencional, cujos caracteres se indicam por pontos em alto relevo. A leitura é pelo tato.
Atualmente, com a tecnologia, há programas de computador que ajudam fazendo a leitura de livros didáticos ou não. “Um livro comum que tenha, por exemplo, 100 páginas, no sistema Braille, terá o dobro de páginas”, explica a professora Ester Busch, que também presta atendimento especializado. Esse volume dificulta o manuseio e o armazenamento das quantidades de brochuras necessárias para compor um livro.

Como exemplo, um exemplar da coleção Harry Potter, que normalmente tem entre 400 a 500 páginas, chega a ganhar mais de mil folhas no sistema Braille. “Assim, mesmo o aluno dominando a linguagem, ouvir a história facilita a assimilação e ajudar na imaginação”, ressalta Ester.

No centro, as professoras atendem crianças e também adultos que ou nasceram cegos ou perderam a visão. Parte do trabalho é ensinar a independência. Esse processo, conhecido por AVA – Atividades da Vida Diária — passa por aprender a arrumar a casa, passar a roupa, andar na sua, fazer compras, enfim, tarefas diárias. O desenvolvimento também passa pela música, com o coral Luz Interior, existente desde 1987.

Também é um processo para a graduação profissional. Há portadores de deficiência visual que são professores, advogados, fisioterapeutas, telefonistas. “ Há limitação na escolha da profissão, mas isso não quer dizer que a pessoa cega ou com baixa visão não possa exercer um trabalho como todos nós”, ressaltou a professora.

Na verdade o maior desafio é a aceitação da sua condição e suas limitações, para poder buscar superar barreiras, preconceitos e imposições. Neste contexto, o papel da família é fundamental. É no núcleo familiar que se busca o apoio para enfrentar os desafios presentes na nossa sociedade.

Fonte:
http://www.ilustrado.com.br/jornal/ExibeNoticia.aspx?NotID=61306&Not=Est…

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