Campeões do mundo, brasileiros do goalball vivem com bolsa de R$ 3.100

Campeões do mundo, brasileiros do goalball vivem com bolsa de R$ 3.100

Atleta faz arremesso

O atleta paralímpico, Leomon Moreno, foi o artilheiro do Mundial de goalball, com 50 gols em 10 jogos (Comitê Parlímpico Brasileiro)

Enquanto o país inteiro acompanhava de perto as dificuldades da seleção no futebol, uma outra equipe nacional fazia bonito na cidade de Espoo, na Finlândia. Os atletas do goalball  (modalidade paralímpica para jogadores cegos ou com deficiências visuais), que  vivem com o benefício de R$ 3.100, 00 da Bolsa-atleta, venceram na final a seleção da casa, um rival histórico, com uma goleada: nove a um. Assim, o Brasil pôde erguer a taça e comemorar o inédito título mundial.

A vitória sobre a Finlândia, além do título, representou uma revanche sobre o adversário que tirou a medalha de ouro brasileira nas Paralimpíadas de Londres, em 2012.

Para o brasiliense Leomon Moreno, de 20 anos, a alegria foi ainda maior. Artilheiro da competição, o camisa 4 do time fez nada menos do que 50 gols em 10 jogos (20 a mais do que o segundo colocado).

Os atletas desembarcaram no Brasil na semana passada. Sem fama, foram recebidos apenas por familiares e amigos nos aeroportos. “Foi a melhor recepção que podia sonhar”, disse o artilheiro, que sofre com uma doença degenerativa chamada de “retinose pigmentar”, que diminui a visão dele ao longo da vida. Em quadra, todos os jogadores usam uma venda nos olhos de forma a não privilegiar quem tem maior acuidade visual. Eles sabem quando sai um gol quando o juiz apita duas vezes e com uma narração da arbitragem.

No caso de Leomon, que não estava atento a contar gol por gol, as imagens do dia a dia são vultos que ele convive. “Foi uma adequação. Minha mãe me deixa no ponto de ônibus e conto com a ajuda das pessoas”. No dia a dia do atleta, ele pega um ônibus ou metrô da cidade de Ceilândia (a 30 km de Brasília) para o Centro de Treinamento de Educação Física Especial (Cetefe), próximo ao centro da capital. “Acordo cedo para ir à academia e ao meu treinamento. Minha mãe sempre fez com que eu e meus irmãos ficássemos independentes”. A família foi vencedora. O irmão, Leandro Moreno, de 26, também fez parte da seleção, e tem uma rotina semelhante. O irmão do artilheiro (que também tem retinose pigmentar) mora na cidade de Riacho Fundo (a 25 km de Brasília), é casado e tem um filho. “Temos uma família humilde e pego dois ou três ônibus para chegar ao clube”.

Na Finlândia, os irmãos brasilienses e o restante da seleção não tiveram dificuldades com o clima ou o fuso. “Eram seis horas a mais e pegamos o verão de lá, entre 10 e 15 graus (centígrados)”, lembra Leandro. Dificuldade mesmo, segundo relatam, foi a partida contra a Turquia, pela fase de classificação, que empataram em 4 a 4, a única que não ganharam.

Treinamentos e campanha vitoriosa

Os atletas treinaram desde o início de janeiro na cidade de Jundiaí (SP). Quando embarcaram para a Finlândia em junho, estavam confiantes, principalmente por causa da medalha de prata, em Londres. “Foram seis meses de trabalho intenso, e esses atletas merecem demais. Eles abraçaram a causa de se tornar uma potência mundial. Hoje temos uma máquina em quadra”, disse o treinador Alessandro Tosim para o site do Comitê Paralímpico Brasileiro.

Agora, os irmãos que moram no Distrito Federal se preparam para o campeonato brasileiro e sonham já com 2016. “Chegaremos em ótimas condições para as Paralimpíadas no Rio de Janeiro”, garante Leandro. “Não podemos relaxar nos treinamentos. Depois do título e dessa folga de uma semana, vamos voltar com tudo para termos novas alegrias”, explicou Leomon, o artilheiro que enxerga longe, muito além dos olhos.

O goalball

A modalidade, criada na Europa em 1946 e que chegou ao Brasil em 1985, tem uma quadra com o mesmo tamanho da de vôlei. Os jogos têm dois tempos de 10 minutos em que  caada equipe (com três jogadores titulares e três reservas) precisam fazer gols com arremessos rasteiros. Os jogadores (que são sempre vendados) percebem a direção do “chute”  adversário porque dentro da bola há um guizo. Pelo menos 112 países praticam o esporte, que é exclusivo para pessoas com deficiência visual. As equipes masculina e feminina têm participado das Paralimpíadas desde a competição em Pequim, no ano de 2008.

Fonte: http://www.ebc.com.br/esportes/2014/07/campeoes-do-mundo-brasileiros-do-goalball-vivem-com-bolsa-de-r-3100

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