Com apenas 25% da visão, jovem de Itanhaém passa em universidade pública
Com apenas 25% da visão, jovem de Itanhaém passa em universidade pública

Com apenas 25% da visão, jovem de Itanhaém passa em universidade pública

Dentro de poucos dias, a vida do itanhaense Edson dos Santos Júnior mudará radicalmente. Aos 17 anos, ele seguirá rumo comum a tantos jovens da sua idade: deixará o conforto do lar e partirá rumo a um município distante – mais precisamente, Limeira, no Interior do Estado. Nessa cidade, a 274 quilômetros de sua casa, cursará Ciências do Esporte pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

O simples fato de ser aprovado em uma das universidades públicas mais conceituadas do Brasil já seria motivo suficiente para encher qualquer mãe de orgulho. No entanto, a luta de Edson ganha contornos ainda mais laureados quando se conhece um pouco de sua história. Com apenas 25% da visão, ele sabe externar bem as dificuldades surgidos até aqui.

Pode-se dizer que o apetite por superar obstáculos está no sangue do jovem. Afinal, os desafios enfrentados por ele ao longo de sua trajetória não podem ser considerados inéditos na família, pois ele é filho de um casal de deficientes visuais. Seu irmão, um ano mais moço, também convive com a mesma limitação: tem apenas 15% da visão.

A mãe, Maria Isabel de Oliveira Santos, relata que, por enfrentar o mesmo problema, desde sempre tentou desenvolver os demais sentidos nos filhos. Ela é professora da rede municipal de ensino há 14 anos e também ensina Braile para alunos com deficiência visual. As atividades ocorrem na sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE). O pai também é funcionário público: fisioterapeuta.

Edson dedicou-se aos estudos e, agora, cursará universidade pública no Interior

Por isso, em vez de crescer ouvindo sobre limitações, Edinho, como é conhecido, acabou se acostumando a lutar pelo que sonha. Aos 5 anos, aprendeu a ler. Como diz o dito popular, tornou-se “rato de biblioteca”, frequentando a Biblioteca Municipal Poeta Paulo Bonfim. “Já li muitos livros. Meus autores preferidos são Machado de Assis, Fernando Pessoa, Eça de Queiroz, Luís Vaz de Camões, José de Alencar, Guimarães Rosa”.

Para conseguir usar livros convencionais, ele utiliza catral – lentes grossas que lhe permitem enxergar melhor, que se assemelham a uma lupa. Foi assim que, no ano passado, Edinho entendeu que era tempo de se dedicar aos estudos para ingressar em uma faculdade pública. Passou a dividir o tempo entre aulas nos períodos da manhã e da noite (escola e cursinho).

Oportunidades

Ele prestou vestibular na Unesp – foi aprovado na primeira fase – e prestou o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No Sistema de Seleção Unificada (Sisu), administrado pelo Ministério da Educação (MEC), as oportunidades foram para as federais de Santa Maria (UFSM) e da Fronteira do Sul (UFFS).

Antes de escolher o curso de Ciências do Esporte, o jovem pensou em cursar Medicina, Ciências Sociais e Filosofia, mas foi nos últimos anos do Ensino Médio que teve certeza da faculdade. “No País, apenas a Unicamp tem o meu curso. É uma universidade muito procurada por pessoas de diferentes estados. Estou contente com a escolha”.

As aulas devem começar no dia 29. Ansioso, ele afirma: “É só na luta que conseguimos a vitória. Temos que batalhar pelo que acreditamos”. A mãe também está na expectativa. Afinal, o filho irá morar sozinho no Interior paulista. Está preocupada com a adaptação de Edinho?

“Não, jamais. Ensinei tudo o que podia para eles. Desde quando eles tinham 6 anos de idade trabalhamos a independência dos meninos. A minha preocupação é a mesma de todas as mães, ou seja, com a violência no mundo”, justifica.

Fonte: http://www.atribuna.com.br/noticias/noticias-detalhe/cidades/com-apenas-25-da-visao-jovem-de-itanhaem-passa-em-universidade-publica/?cHash=54264f02064fcfdaf86d200b9ebcfc75

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