De aprendiz de jornalista para testemunha ocular

De aprendiz de jornalista para testemunha ocular

VerenaHá cerca de três anos, eu teria passado pelo Lar das Moças Cegas como uma então entrevistadora. O trabalho de Conclusão de Curso da faculdade, realizado por uma colega, me traria ao Lar para ouvir histórias de vida que marcariam no coração e registrá-las no papel com educado e respeitoso interesse.

Quando ela me convidou para formarmos uma dupla, brinquei: “Mas você quer que eu seja a repórter ou a fonte? É antiético fazer os dois!”. Falei assim por já sentir dificuldades na visão. Dispensei a parceria e segui meu caminho. Mal sabia eu que eu seria honrada com uma aproximação ainda mais intensiva.

De repente meus contemporâneos na aprendizagem são tanto os jovens como eu, como também pais de família, vovôs e vovós, senhores e senhoritas. É mais um lugar por onde eu passo onde o brilho e o mistério da força da mulher me faz refletir.

Como boa tagarela que sou, já aprontei micagens e dei boas risadas, só que em primeiro lugar, sei que estou aqui para ouvir. São quinze dias de convivência que já me deram lições de sabedoria e me fizeram sentir afeição pela humildade e disposição de alguns guerreiros por aqui.

Eu não caí aqui de paraquedas, foi Deus quem me trouxe. Minha passagem pelo Lar das Moças Cegas vai me trazer bons frutos até na vida profissional. E quem foi que disse que testemunha ocular tem que enxergar com os olhos?

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