Deficientes visuais vivem Copa pelo rádio

Deficientes visuais vivem Copa pelo rádio

Amigos escrutam rádioLigar o rádio na estação preferida para acompanhar os jogos da Copa do Mundo é uma ação rotineira na vida de Anderson Luís do Nascimento, 30 anos, que é cego desde o nascimento. Este meio de comunicação é usado com frequência pela maioria dos deficientes visuais, tanto para ouvir as partidas de futebol como também para fins de entretenimento e notícias.

O costume de pegar o rádio e ouvir as partidas da Copa, principalmente aquelas em que o Brasil entra em campo, é mantido sempre que possível por Nascimento. Ele é funcionário da Secretaria da Educação e também professor de informática na escola “João Fischer Sobrinho”, ministrando aulas para deficientes visuais.

“Escuto sozinho mesmo. Prefiro assim, a ficar em frente da televisão com os outros. Ouvir o jogo pela TV não traz detalhes, não se liga tanto para recursos de audiodescrição. As pessoas que não veem as imagens ficam perdidas”, explica.

DETALHES
Mesmo tendo o rádio como principal meio de comunicação durante as partidas de futebol, o rapaz não está satisfeito com a narração dos jogos. Para ele, muitos detalhes importantes acabam sendo omitidos. O tempo restrito da fala não possibilita que o ouvinte tenha conhecimento dos lances de maneira minuciosa, o que o incomoda um pouco. “Quando um gol é feito, algumas vezes, os narradores citam de que lado a bola veio, de que maneira foi o chute. Outras vezes, não fazem isso. E nas vezes que estes pormenores não são ditos, a gente fica esperando”, comenta.

Ele aposta em Neymar como o jogador que pode levar o Brasil para a semifinal da competição. Nascimento não acredita, porém, que o Brasil seja campeão. “A Alemanha está com um time melhor por tudo que escutei pelo rádio. Provavelmente, passará na semi e conquistará a Copa”, prevê.
Já quando se trata da construção imaginária de determinado lance narrado na rádio, Nascimento diz que não tem o costume. “Como tenho deficiência visual de nascença e não possuo memória fotográfica, prefiro não tentar imaginar como é algo, pois, certamente, será completamente diferente da realidade. O que eu gosto é ser informado dos detalhes, e não me perder durante um acontecimento”, explica o rapaz, que também é torcedor do São Paulo e acompanha as partidas do clube do coração.

AUDIODESCRIÇÃO
Também deficiente visual, André Nascimento, 24, diz que há necessidade da implantação de audiodescrição na rádio para poder acompanhar tanto os jogos da Copa do Mundo como também outros eventos que envolvam outros esportes – como a Olimpíada, que será realizada no Rio de Janeiro, em 2016. Ele também é funcionário da pasta de Educação e professor de informática. “É necessário que seja mais detalhado, explicando situações – como cenário e gestos -, enfim, tudo que possa fazer com que não fiquemos perdidos durante a narração”, relata.

André afirma que não acompanha tanto a Copa do Mundo, pois prefere outras modalidades esportivas. Nos jogos do Brasil, porém, sentiu falta de alguns detalhes. “Falta um pouco de tecnologia para melhorar a transmissão para a gente. É preciso de algum avanço, assim como ocorreu com a internet, que agora possibilita por um aplicativo ler uma notícia com narração automática com voz”, diz.

Fonte: http://www.jlmais.com/detalhes/13097/deficientes-visuais-vivem-copa-pelo-radio

 

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