Dia da Pessoa com Deficiência é celebrado nesta 4ª em todo País
Dia da Pessoa com Deficiência é celebrado nesta 4ª em todo País

Dia da Pessoa com Deficiência é celebrado nesta 4ª em todo País

José Luis Cesar, hoje com 47 anos, costumava sempre ajudar um cego a atravessar a rua, perto de sua oficina de funilaria. Naquela época, ele não imaginava que um dia, esse mesmo homem, retribuiria o favor. Uma doença deixou José Luis cego e o amigo o ajudou na adaptação. O ex-funileiro perdeu também parte da audição e mais tarde se tornou cadeirante. Ao contrário de considerar isso uma tragédia em sua vida — e apesar de não ser fácil ter deficiência em uma cidade não adaptada como Sorocaba –, ele teve força de vontade e foi estudar, se formou, e tem planos de lecionar. José Luis conta que até os 27 anos levava uma rotina comum. “Eu estava casado e era proprietário de uma oficina de funilaria e pintura, mas tudo mudou em dezembro de 1996, quando entrei em coma e fui acordar somente em março de 1997”, lembra. Quando acordou, José Luis soube que tinha ficado cego. Também teve perda total da audição no ouvido direito e ficou com 70% da audição no ouvido esquerdo. “Tive uma meningite meningocócica causada por fungos de pombos.”

Assim que saiu do hospital, ele foi para a Associação Sorocabana de Atividades para Deficientes Visuais (Asac) aprender braile e receber instruções sobre mobilidade. Já sem esposa, resolveu voltar a estudar. “Eu tinha até a 5ª série apenas. Decidi estudar para ter outro emprego, pois já não daria para ser funileiro.”

Ele se esforçou e concluiu a 8ª série. Decidiu trabalhar com massoterapia e para isso precisava ter ensino médio. Voltou novamente aos bancos escolares e concluiu. Chegou a se especializar em São Paulo e conseguiu emprego em importantes clínicas de Sorocaba, até que montou a sua própria.

“Estava tudo indo bem e resolvi fazer uma faculdade, de filosofia. Um dia precisei ir até uma livraria no Centro e caí numa boca de lobo. O resultado foi uma fratura no fêmur. Terminei a faculdade no hospital e hoje dependo de cadeira de rodas.” José Luis teve então de deixar a massoterapia de lado, mas a meta agora é fazer um mestrado, depois doutorado e lecionar em uma universidade. “Tem muitos deficientes com talento e excelente formação, mas na hora de conseguir emprego oferecem vagas em outras áreas como telefonista, etc., que não precisam de faculdade, e isso mostra que os patrões não valorizam o esforço que as pessoas com deficiência tiveram, não querem saber do seu potencial nem de sua capacidade.”

A segunda esposa de José Luis, Elaine Cristina Santos, 34 anos, também tem deficiência. “Nasci com baixa visão. Não chego a ser cega, mas não enxergo, só vejo vultos, mas as pessoas não entendem que você não está enxergando.”

Elaine critica a falta de acessibilidade das ruas da cidade e principalmente dos terminais, que até são adaptados para cadeirantes, mas não para deficientes visuais. “Os pontos de ônibus teriam de ter informações em braile para gente saber em que plataforma a gente está.”

Outra observação de Elaine é com relação aos banheiros públicos. Conforme ela, o marido não consegue ir ao banheiro sozinho, então tem de entrar no banheiro feminino com ele e explicar para as mulheres que ele não enxerga. “Mas não tem trocador de fraldas para adultos, por exemplo, então até pensaram em pessoas com deficiência, como cadeirantes, mas não nas demais deficiências, como os que precisam limpar a sonda, entre outros. Por isso que estamos fazendo passeatas e cobrando nossos direitos. Só estranho o fato de não ter tido um debate sequer entre os candidatos às eleições para falar de acessibilidade”, diz ela.

Ainda existe preconceito, diz Vanessa

Vanessa da Fonseca Soares, 29 anos, também faz parte do Movimento Livre Independente. Ela conta que desde muito pequena soube que sua vida seria de lutas. Vanessa nasceu com malformação da medula espinhal e usa cadeira de rodas. “Minha primeira cadeira de rodas foi parecida com um carrinho de rolemã, aí fui crescendo e trocando de cadeiras. Tive várias”, diz.

A luta a princípio foi para conseguir estudar. “Entrei no segundo semestre porque a escola não queria me aceitar e a professora, na época, falou que eu seria um tormento para a vida dos outros alunos e que eu não iria escrever em linha reta. Em partes até compreendo a reação dela porque fui a primeira deficiente da escola.”

No começo, a mãe de Vanessa teve de sair do trabalho para ficar com a filha na escola, pois ninguém queria tocar na criança, nem mesmo para colocá-la nos brinquedos. E a acessibilidade do prédio ocorreu muitos anos depois.

Outra briga foi para conseguir vaga no transporte especial. “É bem complicado toda hora lutar por direitos. Somos muito julgados, as pessoas olham diferente para a gente. Ainda existe muito preconceito.”

Apesar de ter de conquistar espaço a todo o momento, Vanessa diz que se não fosse isso, nem sentiria que tem deficiência. “Não é porque estou numa cadeira de rodas que não posso sair, me divertir, fazer atividades físicas. Eu faço academia, aula de dança, treino atletismo, vou para balada, shopping, saio para tudo quanto é canto, tenho uma vida normal”, diz.


Sorocaba terá lei de acessibilidade

Nesta quarta (21), às 14h, será assinada a Lei Municipal de Acessibilidade, que estabelece a Política Municipal de Acessibilidade e Mobilidade de Pessoas com Deficiência de Sorocaba. Será no 6º andar do Paço Municipal, como parte da programação especial do Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, celebrado hoje.

Dentro da programação, haverá amanhã encontro lúdico sobre o bem-estar dos cuidadores de pessoas com deficiência, às 13h30, na Secretaria de Desenvolvimento Social (rua Santa Cruz, 116, Centro).

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 14,5% da população, ou seja, aproximadamente 24,6 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência. Durante muito tempo, a grande maioria dessas pessoas foi colocada à margem da sociedade, confinada em instituições, ou mesmo em suas casas, pela própria família.

A partir dos anos 60, principalmente nos países mais desenvolvidos, começaram a surgir os primeiros movimentos organizados de pessoas com deficiência, que passaram a lutar pelos seus direitos. Desde então, suas reivindicações foram sendo conquistadas e traduzidas em forma de leis. O Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência foi instituído pela Lei Federal 11.133, de 14 de julho de 2005.

O projeto de lei 138/2016, do Executivo, que institui a Política Municipal de Acessibilidade e Mobilidade de Pessoas com Deficiência, foi aprovado no dia 1º de setembro na Câmara de Sorocaba. “A proposta tem como referência a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência), sob nº 13.146, de 6 de julho de 2015, o Decreto 5.296/2004 e o Caderno de Implementação de Políticas Municipais de Acessibilidade, editado pelo Ministério das Cidades”, conforme a Prefeitura.

Com 39 artigos, o objetivo da lei é assegurar o direito de igualdade de oportunidades e condições de acessibilidade ao meio físico edificado, aos transportes e às tecnologias da informação e de comunicação, a todo cidadão residente ou de passagem pelo município, criando meios para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade. Para a sua elaboração, foi criado o Grupo de Trabalho de Acessibilidade que, sob a coordenação da Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedes), se encarregou da execução da proposta.

Fizeram parte do grupo representantes da Comissão de Acessibilidade e da Comissão do Idoso da Câmara Municipal de Sorocaba, do Conselho Municipal do Idoso (CMI), do Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Sorocaba, do Banco de Olhos de Sorocaba (BOS), da Associação de Amparo aos Cegos de Sorocaba, de todas as secretarias municipais, Urbes Trânsito e Transportes, Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) e do Parque Tecnológico de Sorocaba (PTS). (Redação, com informações do Secom)

Piquenique Inclusivo acontece no domingo


O 1º Piquenique Inclusivo de Sorocaba será no domingo e é promovido pelo projeto Lazer, Inclusão e Acessibilidade (LIA). Entre as atrações, o público poderá conferir, às 9h, uma apresentação de palhaços. Às 9h30 será realizada uma ginástica, às 10h terá contação de histórias e às 10h30 começa o teatro infantil.

Durante todo o piquenique terá massoterapia, dinâmica em grupo e piscina de bolinhas. O evento será no Parque Natural Chico Mendes (avenida Três de Março, 1.025, Alto da Boa Vista), das 9h às 12h. Todos os interessados podem participar. A entrada é gratuita.

 

Fonte: http://www.jornalcruzeiro.com.br/materia/731594/dia-da-pessoa-com-deficiencia-e-celebrado-nesta-4-em-todo-pais

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