Ensino de Braille garante que pessoas sejam capacitadas para educar cegos

Ensino de Braille garante que pessoas sejam capacitadas para educar cegos

“A deficiência é só uma característica da pessoa”. Esta afirmação vem de Carlos Amaral, 31 anos, que por volta dos oito anos teve catarata e perdeu a visão. Ele é professor de educação física e há cerca de dois anos foi convidado para coordenar o curso de tiflologia (ensino de Braille) da Associação Pernambucana de Cegos (Apec). Hoje, se considera “um cego bem reabilitado”.

Onze turmas de aproximadamente trinta pessoas são capacitadas a cada oito meses no local, para serem professores de pessoas com deficiência visual. O curso consiste em não apenas o ensino da célula Braille, mas também audiodescrição, matemática, orientação para auxiliar na mobilidade do cego, barreiras atitudinais, entre outros. “Esse aprendizado permite que as pessoas tenham pleno acesso à literatura, informática, matemática, música…”, diz.

Soroban é utilizado para ensinar matemática aos cegosSoroban é utilizado para ensinar matemática aos cegosFoto: Ana Maria Miranda/NE10

50% dos professores do curso são cegos, e os alunos, em sua maioria, não têm deficiência. A maior parte deles são pedagogos ou formados em algum curso de licenciatura. “Muitos se interessam por terem algum aluno cego em sala de aula e gostariam de saber como educá-los da forma apropriada”, afirma Carlos.

A célula Braille é em formato de retângulo e possui seis pontos, divididos em duas colunas, com três pontos cada. Esta permite que sejam feitas 63 combinações, usadas como códigos de referência. Para ler, a pessoa deve tatear os pontos em forma de relevo. Já para escrever, é utilizado o reglete, objeto em que se coloca uma folha de papel grossa, e com um punção faz-se as perfurações que irão formar os caracteres. A escrita é feita da direita para a esquerda, e a leitura, ao contrário.

Para o ensino de matemática é utilizado o soroban, em que as colunas representam unidade, dezena e centena. Já a áudiodescrição se trata de colocar em palavras o que se vê, para que o deficiente visual possa ter uma melhor noção do que está acontecendo ao seu redor.

Reglete é usado para escrever em BrailleReglete é usado para escrever em BrailleFoto: Reprodução

Também são ressaltados aspectos como as barreiras que são impostas pela sociedade e pelos próprios cegos. “Às vezes a pessoa perde oportunidades, pelo excesso de proteção, ou algum tipo de privilégio. Ou quando o aluno é usado como um exemplo para as pessoas que enxergam, como: ‘Fulaninho é cego e conseguiu fazer, e você não faz’. Ele fez porque é competente, e se os outros não fizeram é porque não são”, aponta.

Segundo Carlos, o curso é oferecido todos os anos desde 2005, e as aulas são quinzenais aos sábados, com carga horária de 160 horas, e 10 disciplinas no total. Interessados podem entrar em contato com a Apec no telefone (81) 3227.3000 ou se dirigir à Rua Conselheiro Silveira de Souza, número 85, no Cordeiro, Zona Oeste do Recife.

Fonte: http://noticias.ne10.uol.com.br/grande-recife/noticia/2014/12/03/ensino-de-braille-garante-que-pessoas-sejam-capacitadas-para-educar-cegos-522517.php

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