Inserção de Deficientes – Sesi elabora cadastro ao mercado de trabalho

Inserção de Deficientes – Sesi elabora cadastro ao mercado de trabalho

A inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho é um desafio que muitas vezes esbarra em informações desencontradas de entidades que atuam isoladamente. Para identificar a demanda e otimizar o processo, a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), através do Serviço Social da Indústria (Sesi) está montando o cadastro único de pessoas com deficiência em Jaraguá do Sul e região. O cadastro será disponibilizado às empresas.

O lançamento da proposta foi na manhã de terça-feira (11), no auditório do Sesi de Jaraguá do Sul. O projeto pioneiro deve ser levado a outras unidades. Participaram do encontro as instituições parceiras, como secretarias municipais de Saúde e de Educação, associações de deficientes físicos, visuais e auditivos, Apae. Ministério do Trabalho e o INSS e demais interessados. Aproximadamente 30 representantes de empresas compareceram ao evento.

Foram distribuídas fichas para o preenchimento das informações relacionadas às pessoas com deficiência. Ao final do encontro, todos foram convidados a assinar o Termo Simbólico de Adesão. Dentre os palestrantes estava o deficiente visual Osmar Pavesi, professor da unidade Joinville do Sesi: ´´Que todos possam caminhar de mãos dadas nessa caminhada pela inclusão profissional da pessoa com deficiência. Vamos trabalhar em prol dessa causa“.

Cinco anos na busca da inclusão

O diretor do Sesi, Jefferson Galdino, reforça que a instituição atua em prol da inclusão dos deficientes ´´nos últimos cinco anos com mais força“. Defende que o Sesi deu o primeiro passo, trabalhando as lideranças para receberem a demanda de mão de obra, ´´com acessibilidade, textos com intérprete de libras e em braile“.

´´Precisamos preparar pessoas“

O vice-presidente da Fiesc para o Vale do Itapocu, Célio Bayer, destaca que a partir do cadastro único as empresas poderão se preparar para receber as pessoas aptas para serem qualificadas. Defende que a abertura de vagas deve acontecer independente das cotas exigidas por lei, que variam de 2% a 5% (escalonado), à abertura de postos de trabalho aos deficientes.

Garante que hoje é difícil encontrar pessoas com deficiência prontas para o mercado. Esclarece que o Sesi promove a inserção na alfabetização e escolarização, enquanto que ao Senai cabe a qualificação.

´´É necessário que as empresas se adéquem para receber essas pessoas, com vestuário, acesso aos banheiros, refeitório e local de trabalho, mas também com programas de computador específicos para deficientes e leituras em braile. A empresa tem que dar o primeiro passo“. Atesta que as grandes empresas já estão adequadas a esse processo.

Ministério do Trabalho

A responsável pelo Ministério do Trabalho em Jaraguá do Sul, Márcia Vieira, conta que de outubro a novembro foram notificadas 18 empresas, em que apenas duas cumpriram a meta, de empregar de 2% a 5% de deficientes. As multas para os que não cumpriram as metas variam de R$ 2 mil a R$ 100 mil.

Ela entende que a falta de infraestrutura das vias e as dificuldades de transporte são fatores que dificultam a locomoção da pessoa com deficiência. ´´A Secretaria de Obras e a Canarinho deveriam estar aqui também“.

Luta pelo emprego

A presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Guaramirim, Elisete Costa, 40, entidade com 102 associados, conta que já trabalhou como autônoma e se qualificou como secretária, recepcionista e telefonista. ´´Estou em busca de emprego, ainda mais agora, que perdi o benefício do INSS“, assinala Elisete, que teve paralisia infantil quando era criança.

Reclama da falta de acessibilidade e de transporte adequado às necessidades, mas renova as esperanças: ´´Espero que com esse cadastro único se faça a diferença“. Formado em Sistemas da Informação desde 2012, Franklin Tadeu Hanemann, 23, conta que foi desligado da empresa de software que trabalhava desde julho. ´´Estou em busca de recolocação“. Reconhece que ter o apoio da família para se locomover e estudar foi o diferencial para vencer as dificuldades enfrentadas pelos cadeirantes.

´´Apenas 19% das escolas no Brasil estão adaptadas para pessoas com deficiência“, ressalta. Até então, desconhecia o trabalho no Sesi em prol da inserção. ´´É gratificante que já existam ações nesse sentido“. Franklin defende que os gestores de planejamento urbano deveriam formar um comitê com a participação de deficientes físicos, visuais e auditivos: ´´Temos que nos preocupar com uma cidade planejada“.

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