Lesão que cega
Lesão que cega

Lesão que cega

Glaucoma é uma das principais causas de cegueira no mundo, atingindo cerca de 2% da população. No Brasil, a Sociedade Brasileira de Oftalmologia contabiliza 900 mil glaucomatosos

A percepção do mundo apreendida pela maioria é realizada através dos cinco sentidos: visão, audição, tato, paladar e olfato. Nascer sem conhecer o mundo visual, ao qual grande parte da população está acostumada, pode não ser uma vida fácil. Mas, parar de enxergar ao longo da vida e se acostumar à escuridão, também pode exigir uma adaptação brusca. Essas duas situações podem ser causadas por uma doença que afeta a pressão interna dos olhos: o glaucoma.

Em outubro do ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou que, no mundo, “285 milhões de pessoas são deficientes visuais, dos quais 39 milhões são cegas e 246 milhões têm baixa visão”. O relatório ainda apresenta que cerca de “90% da carga global de deficiência visual está concentrada nos países em desenvolvimento” e que “80% dos casos mundiais de deficiência visual podem ser evitados ou curados”.

Dessa população com problemas visuais, 2% tem como causa o glaucoma, conforme a OMS. São cerca de 65 milhões de portadores da doença, sendo que a cada ano surgem mais 2,4 milhões glaucomatosos. No Brasil, nos dados do senso 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, sendo 582 mil cegas e 6 milhões com baixa visão. A estimativa da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO) é que existam cerca 900 mil brasileiros com a doença, que acometeria 4% da população acima dos 40 anos.

Porém, de acordo com a oftalmologista Camila Ray, responsável pelo Serviço de Oftalmologia do Hospital do Coração (HCor), em material divulgado em comemoração ao Dia da Saúde Ocular, ocorrido no início do mês passado, a doença atingiria “cerca de 2% dos brasileiros acima dos 40 anos de idade e está entre as doenças oculares mais frequentes no País, com mais de 1 milhão de casos registrados”. O grande problema para ela, é que esta síndrome aparece subitamente e se desenvolve silenciosamente.

A doença

O glaucoma é a perda gradual da visão periférica, causada pela lesão do nervo óptico, devido a um aumento na pressão interna dos olhos. Os médicos alertam que essa é uma doença grave em que o paciente, pela perda da visão acontecer aos poucos, pode não se dar conta de que está ficando com problemas para enxergar e procurar ajuda tarde demais. Se não for diagnosticado e tratado a tempo, o glaucoma pode levar à cegueira irreversível pela destruição das células retinianas e do nervo óptico, conforme a SOB.

A pressão intraocular (PIO) deve, então, ser monitorada para evitar o início da doença. A PIO fica elevada quando o líquido que há dentro dos olhos, o humor aquoso que circula na porção anterior do olho, não está sendo drenado em quantidade suficiente. O exame para detectar se a pressão do olho está elevada ou normal é chamado de Tonometria.

Sintomas

Perguntado sobre quais são os sintomas da doença, o oftalmologista do Instituto dos Olhos de Goiânia João Nassaralla aponta que não há a existência destes, inicialmente. Há, porém, a perda da visão que ocorre aos poucos e quando o quadro está em um estágio avançado – visão tubular – não há reversão, por intervenção médica possível. Por isso, o especialista ressalta a importância do diagnóstico precoce que pode retardar a progressão da doença e evitar que o paciente chegue à cegueira.

Predisposição

A doença acomete qualquer pessoa, com base nos dados apresentados pelo oftalmologista. Entretanto, algumas apresentam mais riscos e devem ter mais cuidados, como presença frequente nos consultórios oftálmicos. O glaucoma acomete mais comumente pessoas dos grupos dos que têm acima dos 40 anos de idade, dos que possuem familiares glaucomatosos, dos que fazem uso crônico de corticoides ou esteroides, dos que possuem a PIO elevada, miopia de alto grau ou algum trauma ocular anterior, ou que sejam da raça negra. O oftalmologista recomenda que se a pessoa pertence a um desses grupos, o ideal é que façam exames oculares de seis em seis meses.

Tratamento

Há tratamento para a doença, e pode ser efetivo se descoberta no início, conforme João Nassaralla. Dependendo do caso, o oftalmologista irá indicar a melhor indicação para cada paciente. Há medicamentos, via oral e colírios, que reduzem a pressão interna do olho e também procedimentos cirúrgicos, onde é criada uma nova via para a drenagem do humor aquoso.

Em 2002, diante da elevada incidência de glaucoma no Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) criou o Programa de Assistência ao Portador de Glaucoma, por meio do qual os pacientes diagnosticados com a doença podem obter acompanhamento oftalmológico e medicação de forma gratuita.

Tipos da doença

O glaucoma pode ocorrer de várias formas. O crônico simples ou de ângulo aberto é o mais comum. O de ângulo fechado aumenta subitamente a pressão interna dos olhos. Há ainda o congênito que afeta os recém-nascidos e o secundário que acontece por causa de outras doenças.

Fonte: http://www.dm.com.br/texto/187885-lesao-que-cega

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