Mercado abre espaço para os deficientes visuais
Mercado abre espaço para os deficientes visuais

Mercado abre espaço para os deficientes visuais

Os deficientes visuais descobriram as mãos como porta de entrada para o mercado de trabalho: a profissão de massoterapeuta. Uma parceria da Associação Pernambucana de Cegos (Apac) com o Serviço Nacional do Comércio (Senac) oferece cursos gratuitos profissionalizantes em várias áreas, entre elas cuidados pessoais, para os associados da entidade. Após o treinamento, os participantes do curso entram numbanco de talentos e  podem trabalhar como autônomos, para aliviar o estresse dos trabalhadores de empresas públicas e privadas. Outros abrem o próprio negócio e  fazem atendimentos em domicílio, uma forma de garantir uma renda extra.

Antes de perder completamente a visão, Célia de Santana, 48 anos, foi operária numa fábrica. Depois trabalhou como vendedora. “Quando perdi a visão com 22 anos, eu fiquei desnorteada. Não conseguia trabalho. Então resolvi estudar e  fazer alguns cursos”, conta.  Ela aproveitou a oportunidade e  se formou em massoterapia. Tomou gosto pela profissão. Hoje  comemora a agenda cheia de clientes: “A gente acorda de manhã e  sabe que vai trabalhar. Para nós deficientes é muito edificante. Tenho clientes todos os dias”.

As mãos milagrosas de Célia aliviam o estresse dos funcionários da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.  Os dois bancos firmaram convênios com a Associação Pernambucana de Cegos para abrir um espaço de trabalho para os deficientes visuais. A economiária Daiane Borges, 33 anos, gerente pessoa jurídica da Caixa, é uma das clientes que  relaxa a tensão com a aplicação de shiatsu. “A gente só percebe a tensão quando senta aqui. Nos dias em que eu faço shiatsu fico mais tranquila. Melhora a minha concentração e o meu rendimento”.

Os deficientes visuais José Soares da Silva Filho, 65 anos, e Paulo Guilherme de Souza, 61 anos, são aposentados e resolveram fazer o curso de massoterapia para ter uma nova profissão. “Hoje eu tenho um novo projeto de vida. Quero me  formar e abrir o meu próprio espaço de atendimento”, planeja Soares. Paulo também faz planos.  “Estou fora do mercado de trabalho porque existe  a discriminação da deficiência visual e também da idade. Com o curso posso trabalhar como autônomo”.

Danilo Borba, instrutor do curso de massoterapia do Senac, explica que os deficientes visuais têm um diferencial no ofício: tato aguçado com maior concentração. Segundo ele, além de aprender as técnicas de massagens (shiatsu, reflexologia, sueca, drenagem linfática), os alunos recebem noções de ergonomia, biosegurança e ambiente de trabalho. “Muitos saem daqui e montamum negócio e têm uma fonte de renda”.

Coordenador do programa de qualificação da Apac, Daniel Correia diz que estão programados novos cursos profissionalizantes gratuitos e do Pronatec com o Senac. Entre eles,  o de informática básica para os deficientes visuais. Uma exigência do mercado de trabalho.  Mais de 200 deficientes visuais já foram formados no curso de cuidados pessoais.

Fonte: http://boainformacao.com.br/2014/08/mercado-abre-espaco-para-os-deficientes-visuais/

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