O que os olhos não veem, o caráter fala
O que os olhos não veem, o caráter fala

O que os olhos não veem, o caráter fala

Todas as pessoas acreditam que o amor é primordial para se viver bem e feliz. É ele que faz um casal construir sonhos, planejar o futuro e viver da forma mais intensa possível. Neste domingo é Dia dos Namorados e para não deixar a data passar em branco, a Folha do Mate conta uma história de amor diferente daquelas que muitas pessoas estão acostumadas a ver.

O casal de cegos Orlei da Costa, 45 anos, e Suzana das Graças Amaro, 31, mostra que muito mais do que o físico, o importante é o caráter e coração. Os dois são casados há cerca de dois anos, mas estão juntos faz quatro. Não veem um ao outro, mas se amam, se entendem e são felizes do jeito que são.

Costa perdeu a visão completa quando tinha apenas 19 anos devido a fatores hereditários. Suzana, vaidosa que só ela, nasceu prematura e conta que, quando estava no hospital, deram banho de luz nela e esqueceram de vendar seus olhos, o que fez perder a visão ainda bebê.

Suzana não sabe como é o preto, nem o branco, o feio, nem o bonito. Mas ela sabe e sente quem é do bem e quem é exemplo de ser humano. Costa cursa Direito na Universidade de Santa Cruz do Sul e preside a Associação dos Pais e Amigos dos Deficientes Visuais (Apadev) de Lajeado. No caso de Suzana, ela é formada em Pedagogia, trabalha na instituição de deficientes visuais, também de Lajeado, e está em processo de conclusão da pós-graduação em Educação Inclusiva.

A história de amor deles é um tanto quanto engraçada e mostra que quando uma pessoa é feita para outra, as coisas dão certo.

Era uma vez…

Tudo começou quando Costa morava em Retiro do Sul e uma amiga dele queria conhecer um rapaz de Santa Catarina. Como ela não gostava de andar pelas ruas sozinha, acabou por convidá-lo para que a acompanhasse. No local combinado do encontro, que era em um seminário, a amiga conversou com o rapaz e com mais alguns conhecidos. Nesse meio tempo, Costa recebeu o auxílio de uma pessoa para achar uma cadeira e se acomodar no espaço. ‘Então essa guria que me ajudou perguntou se eu não me importava de ficar com algumas pessoas. Aí sentei perto de um grupo de quatro pessoas e acabei conversando com uma moça que enxergava, mas troquei poucas palavras’, relata. Costa acabou por fazer amizades e se interessou por Suzana que também estava naquela roda de conversa. Depois disso, solicitou que a moça com visão anotasse os contatos das pessoas que estavam naquele grupo de amigos.

Após chegar em casa, nem os familiares conseguiram identificar algumas letras que estavam escritas no papel e, devido a isso, acabou por perder o contato de Suzana, até porque ela não havia anotado o número de telefone dele. ‘Ela também não tinha o meu contato e acabamos ficando sem nos falar. Eu gostei muito do jeito que a Suzana conversou. A gente, como não enxerga a pessoa, se prende pela voz, pela maneira como a pessoa conversa e a gente percebe normalmente se é alguém que tem boas intenções’, comenta Costa.

Após quatro meses desde que Suzana e Costa se conheceram, ambos participantes de um grupo de debate na internet, começaram a postar mensagens no espaço e um lia as mensagens do outro. Ele conta que, antes disso, os dois chegaram a se procurar no Facebook, mas não tiveram sucesso. Devido ao grupo na internet, Costa conseguiu mandar um e-mail para Suzana no qual se identificou. Desde então, os dois começaram a se conversar e conhecer um pouco mais sobre a história um do outro.

Contudo, um dos desafios encontrados por ele estava no fato de Suzana morar muito longe, no Paraná, o que poderia dificultar o relacionamento. No entanto, com o passar do tempo, ela abriu mão de onde morava e optou por morar com Costa e construir uma vida repleta de companheirismo.

Aprendizado e ensinamentos

Um relacionamento é produtivo e prazeroso, quando existe admiração um pelo outro e aprendizado diante de tudo o que o casal vive junto. É isso o que ocorre com Costa e Suzana. Os desafios da vida encontrados por eles devido à falta de visão fizeram os dois aprenderem juntos.
Ao morar com Costa, Suzana aprendeu a ter mais autonomia e a se desafiar, até porque o marido desde cedo precisou se virar sozinho. Além disso, o jeito brincalhão dele fez ela encarar a vida de um jeito mais alegre e tranquilo. No caso de Costa, ele aprendeu a ensinar e a ver o quanto é importante ajudar as pessoas que ainda não têm tanta autonomia.
Como Costa chegou a enxergar, ele sabe como são alguns objetos e as cores que têm. Com Suzana a situação é diferente. O que a encanta não é o físico e aparência, até porque não consegue ver, mas sim, o caráter, as atitudes, a voz e o modo de falar.
Para esse casal apaixonado, o importante mesmo é se amar, entender as dificuldades e procurar amenizá-las. Amar é compreender, sonhar junto e também ser companheiro. Juntos, Costa e Suzana aprenderam que enxergar a aparência um do outro de fato faz falta, mas isso é pouco, quando o caráter e o coração significam muito.

Fonte: http://www.folhadomate.com/noticias/geral15/o-que-os-olhos-nao-veem-o-carater-fala-

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