Obstrução de piso tátil é risco para usuários

Obstrução de piso tátil é risco para usuários

No início do ano, a prefeitura de Salvador instituiu o programa “Eu Curto meu Passeio”, que tem o objetivo de padronizar as calçadas da capital baiana. Dentre as atribuições do programa está a instalação de piso tátil para acessibilidade de portadores de deficiência visual.

No entanto, passados cerca de 10 meses da obrigatoriedade da instalação do piso, A TARDE flagrou situações de desrespeito aos espaços destinados ao trânsito de deficientes em diversos bairros da cidade.

No centro, basta percorrer poucos metros para observar bancas de feirantes, caixotes e demais estruturas montadas sobre os pisos. Na rua da Forca, que liga a avenida Sete de Setembro à rua Carlos Gomes, todo o bloco de concreto instalado está ocupado por barracas de camelôs.

Embora afirmem saber da importância da instalação do piso tátil para a acessibilidade de deficientes, os vendedores dizem não ter outro local para instalar suas barracas.

“Estamos em um local apertado. Não temos para onde correr. Ou armamos a barraca em cima do piso, ou não teremos lugar para expor nossos produtos. A prefeitura deveria realocar a faixa de piso tátil”, afirmou um vendedor ambulante que preferiu não se identificar.

Não muito distante dali, na rua General Labatut, nos Barris, carros estacionados interrompem o roteiro de acessibilidade. No mesmo ponto, uma barraca de frutas foi instalada no local onde está sinalizado o final da calçada.

A professora Ruth Queiroz, deficiente visual, transita todos os dias pelo centro e sente dificuldade em seguir da Biblioteca Central até a praça da Piedade, por conta dos constantes obstáculos no caminho. “Mesmo onde não há piso tátil, ficamos sujeitos a cair em buracos”, afirmou.

Também deficiente visual, João Manuel Fernandes avalia as condições das calçadas da cidade como péssimas: “Não há uma calçada sequer na região que esteja devidamente nivelada e que nos ofereça segurança”, disse.

Continuidade

Na Pituba, o desrespeito às faixas de piso tátil se repete. No bairro, além de carros estacionados e de estruturas que interrompem a rota de acessibilidade, alguns proprietários de imóveis ainda não fizeram a devida instalação das placas.

De acordo com  o vice-presidente da Associação Baiana de Cegos, Antônio dos Santos Andrade, a falta de continuidade do piso nas principais vias da capital baiana é um dos maiores problemas enfrentados pelos deficientes visuais.

Deficiente visual acompanhado de duas mulheres

João Manoel e Ruth  (de óculos) reclamam das irregularidades (Foto: Marco Aurélio Martins | Ag. A TARDE)

“A obrigatoriedade da instalação do piso tátil é uma iniciativa louvável, porém, se um proprietário de imóvel coloca e outro não, dificulta o nosso percurso”, disse.

A falta de padronização do material utilizado pelos proprietários de imóveis é outro problema apontado pela associação.

“A prefeitura exige um padrão de material, porém muitas pessoas acabam utilizando outro tipo de placa de concreto. O uso de cimento de baixa qualidade é também um problema, pois as placas, com o passar do tempo, se soltam e oferecem perigo, não apenas para os deficientes, mas para todos que transitam pelas calçadas da cidade”,  adverte o vice-presidente da entidade.

Fonte: http://atarde.uol.com.br/bahia/salvador/noticias/1638792-obstrucao-de-piso-tatil-e-risco-para-usuarios?direcionado=true

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