Óculos de sol: certificados vão garantir qualidade

Óculos de sol: certificados vão garantir qualidade

Apesar de Saúde Visual já ter feito matérias como esta, mostrando que usar óculos escuros é bom mesmo em outras épocas do ano, as pessoas ainda relacionam o uso de óculos protetor solar ao verão. E apesar de vivermos em um país tropical e de comprovadamente já sabermos que os raios solares são nocivos em qualquer época do ano, é no verão que todos se preocupam com os olhos e em usar uns óculos solares.

Mas o conforto pode acabar causando danos à visão, se a lente não oferecer proteção adequada contra raios ultravioleta UVA e UVB. O risco é grande, dizem especialistas, principalmente se o produto for comprado no comércio informal.

Mas agora o consumidor poderá identificar quais produtos ópticos (óculos convencionais e de sol e lentes de contato) são seguros, já que eles vão ganhar certificação, ainda este ano, conta o diretor-presidente da Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abióptica), Bento Alcoforado. No caso dos óculos de sol, serão certificados os que atenderem aos requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

— A certificação determina exigências mínimas, e focamos em três pontos importantes para defini-la: se a lente filtra os raios ultravioleta, e se essa proteção dura, no mínimo, 50 horas; se a lente tem bom desempenho no espalhamento da luz (se não tiver, a nitidez da visão será comprometida); e se o filtro é da cor adequada. Neste último caso, será indicado se a lente pode ser usada para conduzir veículo ou andar pelas ruas — explica Ambra Nobre, secretária técnica do Comitê Brasileiro de Óptica e Instrumentos Ópticos da ABNT, formado por representantes de lojistas, fabricantes e sociedade civil.

A certificação, uma iniciativa da Abióptica em parceria com a ABNT, vai possibilitar que o consumidor exija seus direitos:

— Se a empresa incluir no manual da lente que esta tem proteção, mas o cliente tiver algum problema no uso ou constatar que não existe essa barreira, ele poderá acionar o fabricante — observa Bento Alcoforado.

Segundo a ABNT, o programa já está pronto e aprovado, mas só deve entrar em vigor no início do segundo semestre, porque ainda faltam alguns detalhes.

— Até a certificação, recomendamos que o cidadão não compre óculos em um lugar qualquer, mas que procure uma loja conhecida, estabelecida, que não se arriscaria a vender produtos sem essas qualificações — aconselha o diretor-presidente da Abióptica.

Por ora, a certificação será voluntária:

— No primeiro momento, a norma vai servir de referência para que o mercado se adapte. Para que se torne compulsório, depende do Inmetro — ressalta Ambra.

Contudo, o Inmetro informou que, no momento, não trabalha na regulamentação do setor. A respeito de tornar obrigatório o programa da Abióptica e da ABNT, Paulo Coscarelli, assessor da diretoria de Avaliação da Conformidade do Inmetro, diz que seria necessário realizar uma análise mais atenta do tema:

— Achamos importante a iniciativa de autorregulamentação. Mas teríamos que fazer um estudo para identificar se, de fato, existe um problema no setor e, a partir disso, avaliar se uma medida regulatória iria saná-lo.

Mesmo antes da certificação, o consumidor vai ter uma mãozinha na hora de comprar óculos escuros: a partir de fevereiro, os produtos ópticos que se enquadrarem na autorregulamentação — cuja adesão é voluntária — vão receber uma etiqueta holográfica que funcionará como certificado e permitirá identificar e rastrear a origem do item, garante Alcoforado.

As consequências do uso de lentes sem proteção adequadas são muitas.

— Os danos surgem no longo prazo. Entre eles estão o surgimento de catarata, o pterígio, que é uma espécie de membrana que se forma no canto dos olhos. Há o risco de tumoração da conjuntiva e de doença macular — lista o oftalmologista Luiz Carlos Portes, membro do conselho consultivo da Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO).

O mal é causado porque as lentes interferem na dinâmica da pupila que, naturalmente, se contrai sob luz intensa como forma de proteção.

— A lente escura faz com que a pupila se dilate, e a radiação prejudicial penetra muito mais — esclarece Portes.

A questão é que não é possível definir, a olho nu, se os óculos protegem contra os raios ultravioleta ou não. Para isso, é necessário um teste específico em um aparelho de nome complicado: espectrofotômetro de transmitância luminosa de raios UVA e UVB, explica Ambra Nobre.

— Esses aparelhos não são portáteis a ponto de serem colocados nas óticas à disposição dos consumidores. Há um similar menor, mas ainda está em testes — diz Ambra.

Ela faz uma ressalva a respeito dos equipamentos instalados nas óticas e que mediriam a proteção das lentes:

— Os que eu já vi em óticas medem apenas quanto o produto bloqueou a luz e não o quanto filtrou dos raios UVA e UVB. Uma régua escolar transparente tem bloqueio pequeno, mas se colocarmos a mão, por exemplo, o aparelho vai acusar um bloqueio grande — esclarece.

Outro aspecto importante a checar é a curvatura das lentes, sublinha Leandro Salviano, técnico da Proteste — Associação de Consumidores:

— A pessoa pode aproximar a lente dos olhos e mexer os óculos suavemente para cima e para baixo e depois de um lado para o outro. Se nesse processo a imagem distorcer, é porque a lente não foi fabricada com a curvatura adequada, o que pode comprometer a visão — explica.

E a proteção deve ter uma resistência mínima:

— Pela norma da ABNT, ela tem que resistir, em laboratório, a uma aplicação de raios UVA e UVB de intensidade permanente por 50 horas. Mas isso equivale a uma exposição muito maior ao sol, já que se trata de uma exposição intensa e contínua — destaca Alcoforado, da Abióptica.

De acordo com a secretária técnica do comitê da ABNT, ainda não há consenso sobre qual o tempo equivalente a essas 50 horas em laboratório. Por isso, informações sobre a validade do filtro não farão parte da certificação no primeiro instante.

— O uso vai degradando a proteção, e esse processo acontece num ritmo para quem usa o óculos, por exemplo, só no trajeto de casa para o trabalho enquanto dirige, e em outro para quem usa sempre na praia, por longos períodos. Mas recomendamos que os óculos de sol sejam trocados uma vez por ano — orienta.

Ao chegar ao ponto de venda, não é preciso optar pela marca mais cara para conseguir proteção, revelou um teste da Proteste:

— Fizemos um teste, em 2011, com marcas de preços variados, e todos os óculos de fabricantes conhecidos vendidos em ótica ofereceram proteção. Já os comprados no mercado informal tiveram resultado desastroso: não protegiam, e a qualidade era muito inferior— alerta Salviano.

Os óculos viraram, inegavelmente, um item de estilo e os modelos mais procurados variam de acordo com a moda. Contudo, a escolha deve levar em conta mais do que a aparência.

— Além de optar por uma lente de boa qualidade, a pessoa deve escolher óculos maiores, que cubram toda a área dos olhos — recomenda Portes, membro do conselho consultivo da SBO.

E até as hastes dos óculos devem ser consideradas na hora da compra, orienta o oftalmologista:

— As hastes mais grossas oferecem um bloqueio contra a luminosidade que passa pela lateral do rosto e não é filtrada pela lente.

Engana-se quem pensa que os óculos escuros só devem ser usados em dias de sol.

— Em um dia nublado, a intensidade da radiação é a mesma. Assim como dermatologistas mandam passar o protetor solar todos os dias, é necessário usar sempre os óculos durante atividades externas. As lentes podem até não ser escuras, desde que tenham o filtro necessário — conclui Portes.

Fonte: http://www.hospitaldeolhos.com.br/noticia/1731

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