Óculos piratas: aparência igual, proteção inexistente

Óculos piratas: aparência igual, proteção inexistente

As operações realizadas pela Delegacia do Consumidor (Decon) resultam, todo ano, na apreensão de milhares de óculos de sol e de grau falsificados.

Conforme o Secretário Executivo da entidade Sindióptica-RS, Roberto Tenedini, estes procedimentos intimidam os criminosos e reduzem o prejuízo à saúde ocular da população. A Receita Federal informa que os óculos são hoje o segundo item mais apreendido nas alfândegas de todos os aeroportos, portos e fronteiras do país, só perdendo para os cigarros. Voltando ao ano passado, os números chegaram a mais de 35 mil peças apreendidas, somente no varejo ambulante.

São vários crimes envolvidos como sonegação fiscal e contrabando. Quem for pego comercializando ou distribuindo óculos sem procedência também pode ser indiciado por crime contra o consumidor, receptação e formação de quadrilha além de responder por danos a saúde pública, já que, no caso de óculos piratas, as lentes podem prejudicar a visão. O maior problema apurado entre os modelos piratas é a falta de proteção das lentes para os raios ultravioleta (UVA e UVB) e inadequação ao uso na direção por causa da tonalidade das lentes, o que deve ser sinalizado com uma etiqueta.

Acontece que, quando os olhos ficam expostos ao sol, a pupila se fecha,diminuindo a entrada de luz. É uma proteção natural. Com os óculos escuros, isso não acontece, já que a pupila não diminui de tamanho. Assim, entra mais luz. Se os óculos têm proteção contra radiação ultravioleta, não há risco de danos aos olhos, mas se os óculos escuros não bloqueiam os raios ultravioleta, a vista pode ter sérios problemas, como lesões na conjuntiva, tumores benignos e malignos, além de favorecer o aparecimento de cataratas.

Para Bento Alcoforado, diretor presidente da Abióptica, os esforços dos órgãos do setor óptico brasileiro têm rendido bons resultados. Em uma entrevista para o Saúde Visual, ele afirmou que ouve uma evolução no combate à pirataria: “são 55 milhões de unidades apreendidas em 6 anos”, disse. Dentre os esforços apontados por Bento, estão um trabalho para convencer o varejo que vende produtos ilegais misturados aos formais a migrar para a legalidade. E a criação de um selo de qualidade para informar o consumidor que a loja só vende produtos 100% legais.

Mas somente a ação das autoridades não é suficiente. É preciso apoio da população. Neste ponto, a má notícia vem de um estudo independente realizado por 35 pesquisadores e que foi publicado no site do The Social Science Research Council. Trata-se do texto “Pirataria nas Economias Emergentes” (Media Piracy in Emergency Economies, no original inglês), que, depois de analisar diversas campanhas de conscientização antipirataria, chegou a conclusão de que os esforços constantes para tentar frear os avanços da pirataria em todo o mundo (com leis e ações de conscientização) foram falhos, ressaltando, ainda, que o problema da pirataria é fruto da dificuldade financeira de se obter acesso pelos mercados legalizados.

Fonte: http://www.hospitaldeolhos.com.br/noticia/1882

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *