Por um mundo com menos escuridão
Por um mundo com menos escuridão

Por um mundo com menos escuridão

A principal barreira para uma pessoa cega não é a falta de visão. É a exclusão alimentada em espaços ou serviços não adaptados. Fortalecida na desinformação da sociedade. Segundo o último Censo do IBGE (2010), no Brasil existem mais de 6,5 milhões de pessoas com deficiência visual, sendo 582 cegas e seis milhões com baixa visão. Um universo de brasileiros em busca de respeito, autonomia e empoderamento, direitos, na realidade, de todo cidadão. Por isso, o braille, sistema de leitura com o tato inventado pelo francês Louis Braille, em 1827, pode ser considerado um instrumento tão poderoso. Mais que isso. Libertador.

O Dia Nacional do Braille, lembrado ontem, foi celebrado no Recife com uma roda de leitura inclusiva com alunos da Escola Municipal da Iputinga, com limitações visuais ou não. Aconteceu no Compaz do Alto Santa Terezinha. A ideia, dizem os educadores participantes da iniciativa, é firmar um pacto de acolhimento entre as crianças. Ideia simples e ao mesmo tempo produtiva. Afinal, deficiência é não enxergar o outro com respeito.

Em 2008, o Diario de Pernambuco deu um passo inédito na imprensa nacional. Passou a ser impresso também em braille. Todos os dias, ao longo de cinco meses, exemplares especiais eram distribuídos gratuitamente às entidades e organizações de pessoas com deficiência visual de todo o estado. O projeto tinha parceria com a Cooperativa do Produtor Portador de Deficiência. A iniciativa rendeu o Prêmio Esso de Jornalismo 2008, na categoria Melhor Contribuição à Imprensa.

Pessoas cegas não necessitam de assistencialismo. Precisam de garantia do direito de ir e vir. De preservação da privacidade. De autonomia para executarem tarefas. De cumprimento de compromissos sociais e profissionais. De segurança no caminhar.

Importante para todos nós é não esquecer algumas dicas nesse caminho em direção ao respeito. Ao andar com uma pessoa cega, por exemplo, deixe que ela segure seu braço. Ao ajudá-la a atravessar uma rua, faça a tarefa em linha reta. Nunca use termos como ali e lá. Mas fique à vontade para usar as palavras ver e cego. Ao afastar-se, avise para não deixar o outro falando sozinho. Iniciativas importantes por um mundo com menos escuridão.

Fonte: http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/politica/2016/04/09/interna_politica,637704/por-um-mundo-com-menos-escuridao.shtml

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