Professor da Unesp de Ilha Solteira se torna o primeiro livre-docente cego do Brasil
Professor da Unesp de Ilha Solteira se torna o primeiro livre-docente cego do Brasil

Professor da Unesp de Ilha Solteira se torna o primeiro livre-docente cego do Brasil

Professor Eder Pires de Camargo, da Faculdade de Engenharia de Ilha Solteira (FEIS/UNESP) e da pós-graduação na Faculdade de Ciências de Bauru, é o primeiro cego com livre-docência no Brasil. Ele é portador de retinose pigmentar – doença genética que pode causar até a perda total da visão A informação é da Assessoria de Comunicação da UNESP.

Livre-Docência é o titulo mais elevado da carreira universitária. O candidato a Livre-Docente deve possuir extensa experiência em ensino, pesquisa e extensão, e ter o título de Doutor. A banca de Eder, onde ele teve aprovada a livre-docência, foi realizada na semana passada.

Após ter atingido o nível de escolaridade mais alto no Brasil e se tornar o primeiro professor cego a atingir o título de livre-docente, Eder Pires de Camargo afirma que esta foi uma vitória conquistada a duras penas, comparando-a a uma “vitória de Pirro”, expressão que recebeu o nome do rei Pirro do Épiro, cujo exército sofreu perdas irreparáveis em batalhas onde saiu vitorioso, mas que não deixou sua coragem ser abatida pela perda que sofreu. “Mas o que quero dizer com “prejuízos irreparáveis”? São as consequências físicas, psicológicas e sociais resultantes do trabalho paralelo, não contabilizado, ignorado, não remunerado, adicional, extremamente necessário para que uma pessoa com deficiência visual possa realizar as mesmas atividades de uma pessoa vidente (com visão), como ler, escrever, ter acesso a figuras, gráficos, equações matemáticas, etc… A sociedade, representada por suas mais variadas instâncias, tem a obrigação ética, legal e atitudinal de tornar os caminhos que conduzem à educação, trabalho, lazer etc. das pessoas com deficiências, transtorno global de desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação muito menos desiguais para que possamos falar em direitos”, afirma Camargo.

O professor é enfático ao afirmar que não chegou ao nível de escolaridade por ser cego, mas sim por méritos. “Sou apenas um homem. Entretanto, sou cego. De um lado, não gostaria que este fato fosse sobre valorizado, porque faço um trabalho sério. Cheguei a este nível de escolaridade e desenvolvimento por méritos, não porque sou cego”, disse Camargo.
Complexidade – Eder afirma que para um cego chegar a este nível de escolaridade, dentro de uma universidade, é algo complexo. “Os instrumentos que possibilitam isto são instrumentos de leitura e escrita. Hoje já é possível encontrar muita coisa que pode ser ouvida por dispositíveis em computador. Mesmo assim, há processos complexos de escaneamento, transformação de textos em jpg, pdf, etc… Em textos acessíveis para que cegos possam lê-los. E este processo, também de leitura, é algo desgastante e difícil”, explica Camargo.

O professor destaca que não foi fácil chegar até aqui, aos 43 anos. “Eu me sinto cansado, às vezes esgotado. Porque para atingir níveis como este, realmente tenho que fazer um trabalho adicional muito significativo em relação aos colegas videntes. É isto que quis dizer com ‘vitória de Pirro’. Por isto, especialmente neste ano, isolei-me de minhas orientações, precisei dedicar-me como nunca a esta tarefa, montar memorial, estudar como nunca estudei para este concurso”, finalizou Camargo.

Professor conduzirá tocha olímpica em Lençóis Paulista
Eder Pires de Camargo conduzirá a tocha olímpica em Lençóis Paulista, sua cidade natal, no próximo mês de junho.

Ele é praticante de corridas, foi pré-indicado pela sua cidade natal, sendo escolhido pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para carregar a tocha. O professor é portador de retinose pigmentar – doença genética que pode causar até a perda total da visão – e encontrou no esporte, o caminho para superar os obstáculos da perda da visão, que teve início aos 12 anos. “Pratiquei atletismo até os 18 anos, quando decidi estudar física. Quando eu estava parando de treinar, o medalhista de prata nas olimpíadas de 2000, Claudinei Kirino, que também é de Lençóis, estava iniciando no atletismo. Pensei: “como este cara corre!”. Deixe eu estudar física! Mas como atleta, fui campeão de Jogos Regionais e medalhista de vários torneios. Ou seja, em minha cidade, tenho certa história como atleta”, explica Eder Camargo, em entrevista exclusiva ao ilhadenoticias.com.

Depois de formado em física e se tornado professor, Eder voltou a correr em 2000 e já disputou duas São Silvestres.
Escolha – Eder acredita que não só seu passado como atleta, o esporte como caminho para superar os obstáculos da sua perda da visão e o trabalho como professor no ensino de física para alunos com deficiência visual, tiveram influência na escolha para se ele seja um dos condutores da tocha olímpica. “Acredito que todos esses fatores fizeram a Prefeitura de Lençóis Paulista a fazer uma pré-indicação em outubro do ano passado de meu nome como um dos condutores da tocha, que passará por Lençóis Paulista em 17 de junho. E o Comitê Olímpico Brasileiro teve acesso a minha história de vida como pessoa com deficiência visual, ex-atleta e docente da UNESP e pesquisador sobre ensino de física para alunos cegos e com baixa visão, me selecionando”

A tocha olímpica passará por 329 cidades brasileiras durante 95 dias, antes de chegar ao Maracanã, no Rio de Janeiro, no dia 5 de agosto, para a cerimônia de abertura dos Jogos. Na semana passada, a tocha foi acesa e fez um giro por várias cidades gregas até ser recebida na terça-feira pelo Comitê Organizador dos Jogos Rio-2016. No Brasil, começará a sua viagem na próxima terça-feira (03), em Brasília. (Com informações do Diário da Região).

Fonte: http://ilhadenoticias.com/index.php/noticias/32-destaques/4223-professor-da-unesp-de-ilha-solteira-se-torna-o-primeiro-livre-docente-cego-do-brasil.html

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