Projeto leva emoção da Copa do Mundo a deficientes visuais

Projeto leva emoção da Copa do Mundo a deficientes visuais

Mauana Simas, Eduardo Butter e Pablo Kashner são voluntários da Copa do Mundo de 2014. Usam o mesmo uniforme que todos os outros, ganham o mesmo lanche mas têm uma missão mais do que especial durante os jogos: transmitir a partida para deficientes visuais que estão no estádio. “Fazemos a narração áudio descritiva do jogo”, conta Eduardo. “Além de contarmos os lances do jogo, detalhamos a reação da torcida, a expressão facial dos jogadores para que o cego possa disfrutar do jogo.”

O projeto já existe na Europa desde 2009 e já foi usado durante a Eurocopa de 2012 na Ucrânia e na Polônia e pela primeira vez se faz em uma Copa do Mundo. A coordenadora do projeto é Mauana, que trabalhou durante dois anos com deficientes visuais, mas que nunca tinha trabalhado com um projeto voltado para o esporte. Pela primeira vez na Copa do Mundo o projeto tem apoio da Fifa, da CAFÉ (Centro de Acesso ao Futebol na Europa) e da Urece, uma organização brasileira, cujo nome é tirado de um grito que significa força no futebol para cegos. “Na Europa esse produto já tem um modelo de negócio e se faz até na Fórmula 1”, lembra Mauana.

AudionarradoresOs três estão envolvidos no projeto há quatro meses, quando foram aprovados em uma seleção feita pela Fifa. Desde então começaram a treinar as narrações durante os jogos do Campeonato Brasileiro no Maracanã. “É mais fácil gostar de futebol do que narrar uma partida”, afirma Pablo, que já tinha alguma experiência de rádio. O trabalho é feito sob supervisão de deficientes visuais. “Para nos adaptarmos a termos de acessibilidade e a saber exatamente o que temos que dizer”, conta Eduardo.

Uma das curiosidades da narração é fazer com que o cego saiba exatamente o que está passando. “Alguns contam que já saíram correndo dos seus lugares quando ouviram um barulho que pensavam ser uma grande confusão e era apenas uma ola”, lembra Eduardo. A transmissão é feita por equipamentos aprovados pela Anatel e em frequência de FM apenas para a área do estádio. “Quem está na região próxima também pode captar”, diz Pablo.

Mauana espera que depois da Copa o projeto possa ter continuidade no Maracanã.  “Tomara que se espalhe também para outros esportes”, sonha. A narração áudio-descritiva está disponível além Rio em São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. Eduardo Butter resume bem o sentimento de fazer um trabalho como esse. “É uma pena que um cego não possa ver o Messi jogando. Mas, pelo menos podemos fazer ele sentir isso.

Fonte: http://esportes.terra.com.br/futebol/copa-2014/projeto-leva-emocao-da-copa-do-mundo-a-deficientes-visuais,e5d489408b5a6410VgnVCM3000009af154d0RCRD.html

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