“Somos todos deficientes”. Histórias de meninos especiais para todos

“Somos todos deficientes”. Histórias de meninos especiais para todos

Cada livro da coleção “Meninos Especiais” conta a história de uma criança com uma síndrome. Porque “a deficiência é um bicho-papão” e para que as crianças convivam de forma “natural” com todos.

Estes são dois dos três livros da 3ª coleção “Meninos Especiais”. Cada coleção conta a história de uma criança com uma síndrome.

Coleção Meninos Especiai

“Todos somos deficientes”. A frase é de Rita Ferro, que diz não querer chocar ninguém, até porque há uma explicação para tal afirmação. “O meu pai era deficiente em matemática, eu sou deficiente a preencher um impresso de finanças, há pessoas que não conseguem jamais aprender uma língua estrangeira ou mudar um pneu, ou, noutro plano, amar ou perdoar. Todos somos meninos especiais.”

A vida de Rita Ferro é escrever e foi ela a responsável por pôr em palavras a história de Miguel, um menino com síndrome de Morsier. O resultado faz parte da 3ª coleção “Meninos Especiais”, um projeto da associação Pais-em-Rede, que promove a inclusão social das pessoas com deficiência e das respetivas famílias.

Cada livro conta a história de uma criança que sofre de uma síndrome. Miguel tem Síndrome de Morsier, a Matilde tem síndrome de Pitt-Hopkins e o Eduardo tem Síndrome de Asperger. Os autores dos livros conviveram com o Miguel, com a Matilde, com o Eduardo e com as respetivas famílias. Absorveram a realidade e depois passaram à ficção.

que aventura ser matilde

O projeto vai já no terceiro ano e o objetivo mantém-se. “Um dos dramas das crianças com deficiência é a solidão. Quando entram na escola, as crianças falam sobre elas e estas crianças são imediatamente rotuladas com a deficiência. Isso suga as características delas. Para os outros, não são pessoas, são seres esquisitos“. A explicação é de Luísa Beltrão, presidente da associação que nasceu em 2008 pela mão de um grupo de mães e que já conta hoje com núcleos por todo o país.

Os livros têm como objetivo dar a conhecer estas crianças para que seja possível criarem laços de amizade com os outros. Os principais destinatários dos livros, aliás, são as crianças que não têm deficiência. “A ideia é revestir estas crianças de humanidade. É este o princípio da inclusão. Elas têm uma família, têm coisas de que não gostam, coisas de que gostam”, destaca.

O mundo da deficiência é um bicho-papão. As pessoas têm medo porque são realidades muito distantes e têm receio de não saber lidar com elas”, diz Luísa Beltrão, presidente da Pais-em-Rede.

É esta ideia de tratar a síndrome como um pormenor na vida destas crianças que orienta o projeto. Uma ideia também adotada para a estratégia de escrita de Isabel Martins. “A minha preocupação foi ir caracterizando a doença pelo meio do enredo, e tentar não transformá-la no centro do enredo”, revela a autora de “O fácil que é difícil e o difícil que é fácil”, a história de Eduardo.

síndrome de asperger

Os livros podem ser também uma “boa ferramenta para os professores trabalharem com as crianças, fazerem teatrinhos e leituras”, para que “os meninos ditos normais convivam com meninos com deficiência”, aponta Edite Vasconcelos, coordenadora do projeto “Meninos Especiais”.

Na primeira coleção, decidiram começar pelas síndromes mais comuns. Depois, foram alargando o espetro. Os escritores, ilustradores, paginadores e editores trabalharam gratuitamente. Cada livro custa quatro euros e a receita vai para os projetos da associação. Os livros estão à venda na sede de Lisboa (Rua Garcia de Orta) ou através de venda direta pelo email encomendasmeninosespeciais@gmail.com.

Fonte: http://observador.pt/2015/11/01/deficientes-historias-meninos-especiais/

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