Um exemplo de dedicação e superação para o Dia do Deficiente Visual

Um exemplo de dedicação e superação para o Dia do Deficiente Visual

13 - dia do deficiente visual

No dia 19 de fevereiro de 1990 vinha ao mundo uma linda menina que recebeu o nome Verena, que quer dizer “portadora de vitórias”. Não poderia haver significado melhor para ela. Verena de Lima Amaral, 25 anos, nasceu perfeita, em uma família unida.

A jovem é a caçula de três irmãos, filha de uma bancária e de um engenheiro eletricista, ela teve a chance de crescer em um quintal enorme, cheia de cachorros e com brincadeiras. Verena nasceu e cresceu em São Vicente, sempre foi estudiosa e escolheu o jornalismo como profissão.

“Escolhi o jornalismo porque gosto muito de ler e escrever e sou uma pessoa curiosa. Arquitetura e dança também passaram pela minha cabeça, pois são outras duas paixões. Mas, seis meses antes de prestar o vestibular peguei um folheto de cursos e dali para frente trilhei o caminho que me fez chegar até aqui. Embora o jornalismo não corresse em minhas veias naquela época como hoje, tenho certeza que minha escolha foi correta.”, conta.

Verena estava no último ano da faculdade, quando um descolamento de retina e catarata total nos dois olhos decorrente de diabetes levaram a jovem, na época com 21 anos, há cegueira total.

“Desde 2008 eu tive uma perda gradativa. Eu iria concluir minha graduação em dezembro de 2011, mas em março deste mesmo ano perdi minha visão em sua totalidade. A minha sorte foi que no último ano a grade de matérias do curso era menor comparada aos outros anos. Em todas as disciplinas eu pude contar com a colaboração da minha mãe, de alguns amigos e com a compreensão dos meus professores.”

Apesar de todo o apoio, Verena não conseguiu fazer seu Trabalho de Conclusão de Curso. “Escolhi fazer uma monografia, e isso exigia a leitura de muitos livros e a realização de diversas pesquisas. Porém, eu ainda não tinha nenhuma noção do que era uma bengala, quanto mais noções de informática ou braile. Recusei a sugestão de entrar em um dos grupos e mudar meu tema de pesquisa e decidi me reabilitar para futuramente concluir e apresentar o meu TCC, que será em agosto de 2016.”

Em 2014, Verena entrou no Lar das Moças Cegas e chamou a atenção desde o início. Linda, educada, inteligente e sempre se mostrando muito participativa ela conquistou a todos professores e colegas de todas as idades.

Era difícil não notar aquela aluna nova. Aos poucos fomos conhecendo sua história e vendo o como, apesar de tudo, ela era feliz e tinha força de vontade. Em um mês ela já estava participando do grupo de empregabilidade Visão Eficiente e foi uma das mais animadas no projeto do Blog do LMC.

No LMC ela fez aulas de Orientação e Mobilidade (OM), Atividades da Vida Autônoma e Social (AVAS), Braille, Informática, Telefonia e Oficina Pedagógica. Durante esses dois anos ela também participou do Coral, fez aulas de Taekwondo e piano e se tornou representante de alunos.

Em abril deste ano ela passou a fazer estágio no setor de Relações Institucionais. “A história dela e a pessoa que ela é nos encantou. Aos poucos fomos inserindo-a no nosso setor, em abril ela passou a estagiar no RI e vem se mostrando muito competente”, contam Bruna e Mariana, colaboradoras do setor.

No ano passado (2014) lançamos o LMC no ar, um programa de 5 a 10 minutos veiculado pelo nosso canal do Youtube a cada quinze dias. Nele são apresentadas uma nova entrevista e uma nova atividade. O objetivo é ampliar a divulgação da instituição, seguindo as tendências atuais. Os vídeos estão sendo produzidos pela equipe de Relações Institucionais e desde agosto vem sendo apresentado pela Verena, que mais uma vez nos surpreendeu.

“Nós sabíamos que ela tinha potencial e foi uma aposta certeira. Nada melhor do que uma deficiente visual para apresentar um programa sobre uma instituição para deficientes visuais”, explicam.

Para decorar os textos, Verena usa o leitor de tela Dosvox. Vaidosa e dedicada ela se prepara para cada gravação. Com cabelo e maquiagem arrumados e texto na ponta da língua ela sempre mostra profissionalismo na hora do “valendo”.

“Eu não tinha pretensões nem mesmo vontade de falar diante das câmeras. Sempre preferi escrever, mas não atentava que no jornalismo tudo se integra e a eficácia da comunicação através da internet nos proporciona uma notoriedade gratuita, espontânea e livre de contratos. Está sendo um novo desafio, mais um entre tantos que tenho. Quero manter aflorados meus sonhos de tocar piano, lutar taekwondo e procurar um curso de ballet para adultos paralelamente ao compromisso com a minha profissão tanto a de telefonista, que assumi em outubro, como a de jornalista.”, revela.

O LMC no Ar deu um novo fôlego para a  jovem acreditar na sua profissão. “Me alegro pelo fato de não só minha profissão não estar adormecida dentro de mim, como através dela nós estarmos praticando um pioneirismo que valorize o ser humano de uma maneira tão simples e espontânea.”

Verena nos ensina a cada dia mais sobre a vida e sobre os deficientes visuais, Ela é um exemplo para todos os alunos do LMC neste dia do Deficiente Visual.

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