Viver sem Limite e a acessibilidade quase zero

Viver sem Limite e a acessibilidade quase zero

Achei um absurdo o caso do cadeirante José Wilson, de Salvador, que precisou comprar material de construção para  tapar buracos e construir rampas nas calçadas de sua cidade. “Tive que construir isso para poder facilitar de andar no passeio. Senão, teria que andar no meio da rua disputando espaço com os carros de alta velocidade, correndo risco o tempo inteiro”, afirmou ele.

Samuel de Oliveira, 41 anos, construindo uma rampa de acesso ao prédio da Secretaria de Saúde da cidade mato-grossense.

Em Cuiabá um cadeirante construiu uma rampa de acesso ao prédio da Secretaria de Saúde da cidade mato-grossense.  Ele afirmou o seguinte para o portal G1 “Não aguento mais passar por isso e estou cansado de esperar pelo poder público. Por isso tomei a iniciativa e não quero mais esperar”.

Um outro caso foi de um cadeirante de Campinas, José Roberto Pedro, que já quebrou várias rampas de calçadas, porque elas eram mal feitas e muito inclinadas, o que dificultaria a locomoção dos cadeirantes. Ou seja, rampas feitas de qualquer jeito pelos donos de lojas, para driblar a fiscalização.

Quantos casos como estes estão acontecendo no Brasil que a mídia não noticiou. Construção de rampas, de piso tátil e outros é responsabilidade do poder público e não do cidadão que apresenta uma deficiência física ou visual.

Pedro, que já quebrou outras rampas na cidade, utilizou uma marreta e uma talhadeira (Foto: Dorinaldo Oliveira/Portal RAC)

Em novembro de 2011, o governo federal lançou o Viver sem Limite – Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência. Segundo o governo, esse plano é um conjunto de políticas públicas estruturadas em quatro eixos, o qual a acessibilidade está incluída. A presidente Dilma Rousseff através desse programa  prometia aplicar, até o final de 2014, R$ 7,6 bilhões para atender a população com deficiência. Após três anos e poucos meses de implantação desse programa, a questão da acessibilidade continua vergonhosa. Basta ver os exemplos que foram citados no início desse texto.

O nome ‘Viver sem Limite” não condiz com a situação que milhares de pessoas com deficiência física vivem no seu dia a dia. Viver sem limite significa autonomia, independência… Mas como viver em plena cidadania, se o direito de ir e vir dessas pessoas são cerceados, negados através de obstáculos físicos.

Infelizmente a política de acessibilidade arquitetônica brasileira é quase zero. Temos programas,  decretos, Leis, portarias, normas técnicas, contudo projetos e obras são licitados sem a exigência de requisitos de acessibilidade. Não há fiscalização do poder público!

Enquanto as políticas públicas e as iniciativas governamentais forem encaradas, pelos Gestores Públicos, como “uma caridade para pessoas deficientes”, continuaremos sendo desrespeitados como cidadãos. Entretanto, para receberem nossos impostos, não há nenhuma discriminação.

*Vera Garcia: Blogueira, pedagoga, criadora e administradora dos blogs Namoro Poderoso e Deficiente Ciente. Amputada do membro superior direito.

Fonte: http://www.deficienteciente.com.br/2015/04/plano-viver-sem-limite-e-a-acessibilidade-quase-zero.html

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.